Visão global das empresas só existirá com a criação de espaços de trabalho seguros e inclusivos

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Por Alair Freitas, gerente sênior de Aquisição de Talentos LATAM na Zendesk

Gerar ambientes seguros em empresas, onde converge uma comunidade de trabalho diversificada, ajuda a fomentar a criatividade e o pensamento crítico para resultar em uma visão global mais ágil na resolução de problemas.

No marco do Dia Internacional do Orgulho LGBTQ+, é importante que as empresas pensem em criar espaços para realizar mudanças organizacionais que incluam todos os colaboradores, sejam ou não da comunidade. Por exemplo, penso em mesas de diálogo, oficinas de sensibilização, desconstrução e conscientização, além de fornecer informações sobre oportunidades de impacto social que os trabalhadores podem explorar e dinâmicas em que querem se envolver.

Não podemos perder de vista que, enquanto “diversidade” é o fato de que “as diferenças são reconhecidas”, a inclusão é o “ato que garante” a gestão dos ambientes de trabalho com saúde emocional, canais de diálogo e estratégias de crescimento pessoal e profissional dos colaboradores. No fim do dia, isto contribuirá para a rentabilidade e o valor da empresa.

De acordo com um estudo da LGBT Capital, o poder de gasto anual do segmento de consumidores LGBTQ+ foi de cerca de US$ 3,9 trilhões em 2019, enquanto dados do Banco Mundial indicam que 71% dos clientes LGBTQ+ são mais propensos a investir em empresas que apoiam a comunidade.

O fato surpreendente é que, apesar das evidências acima, pelo menos 70% das empresas não possuem políticas claras de inclusão e diversidade, e são poucas as organizações que consideram uma mudança na cultura organizacional interna para serem mais inclusivas (apenas 39%), faltando em programas adequados para alcançar a transformação no caminho da inclusão.

A comunidade LGBTQ+ é um dos grupos que mais tem buscado alcançar espaços inclusivos. Foi por esses esforços que grandes vitórias foram celebradas, como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, sendo o Chile um dos últimos países a entrar na lista. Mesmo assim, deve-se reconhecer que na América Latina ainda há muito trabalho a ser feito, pois existe discriminação no campo trabalhista e prevalecem os estereótipos de identidade de gênero ou expressão das pessoas.

O objetivo que as empresas devem aspirar é o de construir espaços de trabalho diversificados e criativos onde todos os colaboradores se sintam à vontade para serem eles próprios, e assim conseguirem fazer do setor empresarial um agente de mudanças que promova a construção de um sentimento de pertencimento, baseado no respeito.

Na área de atendimento ao cliente, a compreensão e a empatia também são essenciais para construir uma experiência autêntica e alinhada com as últimas tendências. De acordo com o relatório CX Trends 2022, elaborado pela Zendesk, as tendências apontam para um serviço totalmente conversacional, onde o reconhecimento do usuário como indivíduo requer um melhor entendimento da narrativa e das preferências de cada um para gerar uma comunicação que traga resultados. Por isso, é fundamental que a boa gestão dos ecossistemas internos da empresa seja vivida como atividade fundamental para acessar e aprender com as realidades compartilhadas com clientes, melhorando exponencialmente a percepção empática e a integração da diversidade.

O futuro inclusivo é construído com empresas que decidem trabalhar conscientemente os preconceitos que residem no inconsciente coletivo; Ele é construído com organizações que compartilham a urgência de agir para mudar esses comportamentos e implementar soluções sustentáveis e responsáveis que demonstram um profundo compromisso, interesse e conhecimento dos contextos e nuances sociais desta e de outras interseccionalidades.

 

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