Morreu Barbara Hammer, pioneira no cinema lésbico

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Morreu aos 79 anos a cineasta experimental Barbara Hammer, considerada por muitos como uma das pioneiras do cinema lésbico. A causa da morte está relacionada a um cancro nos ovários, doença que batalhava desde 2006.

Nascida a 15 de maio de 1939 em Hollywood, Hammer foi encorajada desde cedo a ser bonita e feminina e a sua mãe mostrava-lhe constantemente fotografias de Shirley Temple como modelo a seguir. A sua avó, uma imigrante ucraniana, trabalhou como cozinheira para a famosa atriz Lillian Gish e, a certo momento, a pequena Barbara e sua mãe foram apresentadas a D. W. Griffith.

Bárbara, no entanto, não queria ser uma estrela infantil e, quando se tornou maior de idade, encontrou uma nova maneira de se expressar. O seu filme preferido era O Homem da Câmara de Filmar (1929) e assinou os seus primeiros trabalhos em 1973-4. Desde então executou dezenas de obras, a maioria experimentais, mas algumas delas muito controversas, lidando frequentemente com sexo, género, sociedade e história. A sua primeira longa-metragem, Nitrate Kisses, apareceu em 1992, tendo estado em competição em Sundance.


Nitrate Kisses

Os meus filmes são frequentemente chamados de visionários, mas eu não sou visionária. Vivo a minha vida lésbica. Não espero. A minha vida é minha visão. Ao documentar o que os outros chamariam de visionário, o que eu chamaria de “ação”, espero acender a imaginação do público“, disse em entrevista sobre exploração da sexualidade e das subculturas sexuais das mulheres queer nos seus trabalhos.

Hammer abordou o seu diagnóstico de cancro em A Horse Is Not a Metaphor (2009) e tocou em vários temas na sua carreira, como os relacionamentos amorosos na sua vida (Superdyke Meets Madame X), o orgasmo feminino (Multiple Orgasm) e até as suas origens ucranianas (My Babushka: Searching Ukranian Identities).


A Horse Is Not a Metaphor

Escolhi o cinema e o vídeo como um meio para tornar o invisível, visível. Qualquer um pode ficar de fora da história. Sou obrigada a revelar e a celebrar os povos marginalizados cujas histórias não foram contadas. Um cinema de vários níveis que os envolve visceralmente e inteletualmente ativa o meu público. Quero que as pessoas saiam do cinema com novas perceções e encorajadas a adotar posturas políticas e ativas para a mudança social num ambiente global “, afirmou.

Sempre ativa na tentativa de falar do estilo de vida lésbico, ora no Cinema ou em performances artísticas e até sessões de fotografia, Barbara chegou a criar o Barba Hammer Lesbian Experimental Filmmaking Grant para apoiar artistas nesse ativismo.

Nos últimos anos, tornou-se forte defensora do “direito a morrer” e expressou o seu desejo de “uma morte digna” durante sua performance A Arte de Morrer ou (Arte Paliativa na Era da Ansiedade) no Museu Whitney em Nova Iorque, em outubro passado.

Existe um medo geral de falar sobre a morte no mundo ocidental. É como se, ao não mencionar ou discutir isso, o problema fosse embora”, dizia nessa performance.

 

c7nema

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