Educa TRANSforma: cursos gratuitos em TI para pessoas transgêneros

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Início das aulas da primeira turma da plataforma acontece na primeira semana de dezembro

Wellington Arruda

Foto: Educa TRANSforma, Noah Scheffel/Divulgação

A plataforma Educa TRANSforma, idealizada por Noah Scheffel e parceiros, abrirá inscrições em novembro para a primeira turma. Ela visa a inserção de pessoas transgênero no mercado de trabalho por meio de capacitação profissional em TI gratuita.

A primeira turma já deve começar as aulas na primeira semana de dezembro. Scheffel, homem trans e profissional de TI na DBServer, criou o projeto com base em evidências de que a população transgênero (transexuais, travestis, não binários e intersexo) encontra-se em situação de desemprego ou subemprego, dado o preconceito da sociedade.

Com a iniciativa, vem a proposta de promover atividades e workshops semanais focados em soft-skills, desenvolvimento pessoal e relacional, saúde física e psicológica, apoio pedagógico e outras ações.

Segundo a União Nacional LGBT, pessoas transexuais têm expectativa de vida de 35 anos no Brasil, enquanto a média da população em geral é de 75 anos.

De acordo com estimativa da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% das pessoas trans acabam recorrendo a prostituição em ao menos algum momento da vida. A ONG Transgender Europe cita a vulnerabilidade dessas pessoas ao trabalharem com prostituição como índice de violência contra travestis e transexuais.

Transformando a TI

O curso de capacitação da Educa TRANSforma tem duração de 11 meses com três módulos: front-end; back-end; qualidade de software + desenvolvimento mobile + design.

A iniciativa tem parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) no desenvolvimento e certificação dos módulos técnicos de aprendizagem. Assim, a cada módulo concluído, as pessoas alunas recebem um certificado da universidade.

Segundo Noah, a iniciativa visa “funcionar como uma ponte entre as pessoas que estão em situação de desemparo social, as instituições de ensino e a tecnologia. A ideia central é inserir “pessoas diversas, multiplicadoras de conhecimento adquiridos e desenvolvidos, além de diminuir a desigualdade social entre pessoas transgêneros e mercado de trabalho”.

Noah Scheffel, idealizador da plataforma Educa TRANSforma.

As inscrições para o programa acontecerão entre os dias 1º e 15 de novembro de 2019. O link da página ainda será divulgado e o processo seletivo será realizado pela UFRGS.

Participantes precisam ser maiores de 18 anos, ter o ensino médio concluído e ser uma pessoa transgênero. As aulas presenciais terão início em 5 de dezembro.

O Educa TRANSforma visa, além da capacitação técnica, inserir as pessoas no mercado de trabalho e acompanhá-las em sua vivência como pessoa transgênero.

A plataforma, como explica Noah, oferece serviço “especialmente desenhado para empresas que estejam interessadas em transformar seus ambientes seguros para receber os profissionais transgêneros”.

Ele diz ainda que, em um futuro breve, deverão atender pessoas fora de Porto Alegre com cursos à distância.

Em busca de parcerias

Além da UFRGS, a iniciativa tem patrocínio da DBServer, Globo, Globo.com, Best Soft, Sala Precisa, Aquiris e UniRitter. Através de dois pacotes de patrocínios (Cota Eduque e Cota Transforme), eles visam novas parcerias para viabilizar o projeto e futuros planos.

Os respectivos valores, mais informações e meios de contato, estão disponíveis nesta página do Educa TRANSforma.

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