Conferência Internacional debate potencialidades do turismo LGBT no país

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Enquanto governo federal corta investimentos no setor, empresários e governos estaduais se aproximam e elaboram alternativas.

Por Rafael Rocha

Debater formas de ampliar o turismo no Brasil destinado à população de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais foi a plataforma que sustentou as discussões realizadas durante a 3ª edição da Conferência Internacional da Diversidade e Turismo LGBT. O evento, que aconteceu na capital paulista entre os dias 25 e 28 de agosto, reuniu profissionais de turismo, agências, operadores e empresários nas instalações da Praça das Artes.

Ousada, a organização abstraiu as manifestações contrárias do governo federal ao tema – vale lembrar que o presidente Bolsonaro afirmou, em abril, que o Brasil não poderia ser um país do turismo gay – e investiu energia, dedicação e conhecimento em uma programação vasta que se dividiu em três temas: turismo, emprego e cultura.

Impossível ficar alheio à potência ainda a ser explorada no que se refere ao turismo LGBT. Enquanto o turismo, de modo geral, cresceu no Brasil 3,5% em 2017, o turismo LGBT teve um aumento de 11% no país. Segundo estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Brasil é o país da América Latina com maior potencial de crescimento de receitas com o turismo desse segmento. Apesar dos números inquestionáveis, o governo federal retirou o turismo LGBT do plano nacional do turismo.

São Paulo envolveu o tema de braços abertos e também iluminou com as cores do orgulho LGBT alguns pontos icônicos da cidade, como a ponte Estaiada, a sede da prefeitura e o viaduto do Chá.

Realizado pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, o evento teve a Espanha como destino internacional convidado e, pela primeira vez, uma companhia aérea patrocinou a iniciativa.

Além dos empresários, o poder público estadual e municipal também se fez representado na segunda (26). Para discutir os caminhos do turismo LGBT no Brasil foram convidados gestores da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, cada um informando sobre como os governos estaduais estão preparando sua rede para receber essa população.
 
A terça (27) foi dedicada à discussões sobre as oportunidades de trabalho destinadas à população LGBT. Grandes empresas divulgaram seus programas de diversidade e empregabilidade, como ArcelorMittal Brasil, For e Itaú.

Pela primeira vez, o evento abriu suas portas para um relevante debate sobre como a cultura pode dialogar com o turismo, potencializando o segmento. Os bate-papos abordaram iniciativas que estão se destacando ao ampliar o acesso às manifestações LGBTs. Laís Bodanski, presidente da SPCine, demonstrou como a capital paulista está investindo na recepção de filmagens nacionais e internacionais voltadas aos gays e lésbicas, e o impacto disso na economia local.

Direto da Universal Channel Brasil, Paulo Barata demonstrou uma interessante linha do tempo sobre a presença LGBT nas produções audiovisuais brasileiras e estrangeiras.

Realizadores e produtores culturais debateram sobre o recorte da economia criativa voltada a espetáculos, musicais, filmes e mostras LGBT, e contaram os desafios enfrentados ao longo dos tempos. Nesse sentido, um dos depoimentos mais emocionantes foi o da atriz transexual Renata Carvalho, que detalhou os preconceitos que sofreu ao realizar um espetáculo apresentado em várias cidades do país.

O Tempo

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