Após exposição sobre casamento gay, gerente é afastado de centro cultural em Fortaleza

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Faixa que compunha o projeto “O que pode um casamento (gay)?” havia entrado em cartaz no último sábado, dia 25. A obra foi removida e os artistas acusam o equipamento de censura.

Manifestação que sucedeu a retirada de obras do Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) culminou na saída do gerente executivo do equipamento. Gildomar Marinho foi afastado do cargo e realocado como gerente de Célula de Gestão da Cultura, na administração do BNB. Artistas afirmam que tiveram obra censurada.

Faixa colocada na porta do CCBNB, na rua Conde D’Eu, Centro de Fortaleza, defendia direitos da população LGBTQI. “Em terra de homofóbicos, casamento gay é arte”. A peça é parte de exposição do 70º Salão de Abril, um dos mais tradicionais eventos de arte do Estado, realizado pela Prefeitura de Fortaleza.

Apesar de tentativas de diálogo, conforme os autores Eduardo Bruno e Waldírio Castro, a faixa foi removida nessa segunda-feira, 27. As outras obras que compunham a instalação foram retiradas do CCBNB na manhã desta terça, por decisão dos autores.

O projeto “O que pode um casamento (gay)?” havia entrado em cartaz no último sábado, dia 25.

“A gente não aceita diálogo com censura, onde há parte da obra retirada”, resumiu Eduardo Bruno. “Sendo uma obra que discute homofobia, relacionamento homossexual e liberdade de expressão, não há lógica permanecer no espaço com nosso trabalho”.

Gildomar informou ao O POVO Online que não pode responder institucionalmente sobre o caso. A assessoria de comunicação do BNB enviou nota, defendendo que não houve interferência na obra dos artistas:.

“A obra em questão faz parte do 70° Salão de Abril, organizado pela Prefeitura de Fortaleza e pelo Instituto Iracema, para o qual o Centro Cultural Banco do Nordeste cedeu espaço para algumas exposições. As obras foram selecionadas por uma curadoria contratada pelo Instituto Iracema. O Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza não interferiu na exposição do artista, somente discordou da instalação da faixa na entrada do equipamento, afixada próximo à logomarca do centro cultural, descaracterizando a fachada do prédio e comprometendo sua identidade visual”, completou a nota.

Entenda

Eduardo narra que um dos itens da instalação foi questionado pelo Banco. “Pediram para retirar a faixa, alegando que ela só poderia ficar no dia da abertura. Então, expliquei que a faixa fazia parte da instalação e deveria ficar na área externa do Centro Cultural até o dia 30 de junho, conforme fomos autorizados”, afirma. “Nos falaram, ainda, que o ‘o Banco não pode vincular a marca a esse tipo de frase’”, diz o artista. Ele diz que todas as etapas foram respeitadas, referindo-se à seleção e curadoria.

A Prefeitura de Fortaleza, também por meio de nota, lamenta o ocorrido e informa que já autorizou a realocação das obras para outro espaço que faz parte do Salão de Abril. “A Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor) já autorizou a curadoria do Salão de Abril a disponibilizar aos artistas a possibilidade de exposição no Centro Cultural Casa do Barão de Camocim”, também no Centro de Fortaleza.

O presidente do Instituto Iracema, Davi Gomes, também realizador do Salão, reitera: “A Prefeitura de Fortaleza e o Instituto são contra qualquer tipo de censura, liberdade de expressão, de gênero e artística. Eles foram selecionados e mereciam a exposição. A obra não fere nenhum princípio”, disse.

Jacqueline Medeiros, uma das curadores do Salão de Abril, diz que a decisão foi do CCBNB e os organizadores não foram consultados. “Estamos focados em encontrar o melhor lugar para expor a obra”.

A deputada Áurea Carolina, do Psol-MG, requereu esclarecimentos ao presidente do BNB acerca do caso.

O POVO

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