Suazilândia celebra sua 1ª Parada do Orgulho LGBT; veja fotos

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Cerca de 500 pessoas compareceram ao evento no país africano, que também é conhecido como eSwatini

Parada do orgulho LGBT realizada na Suazilândia, país também conhecido como eSwatini, realizada em 30 de junho de 2018. Foto: Mongi Zulu / AFP Photo

Centenas de pessoas celebraram em um ambiente festivo a primeira Parada do Orgulho LGBT da Suazilândia, a última monarquia absolutista da África e onde as relações sexuais entre dois homens são um crime. O evento ocorreu no sábado, 30 de junho.

“A comunidade e seus aliados pintaram as ruas do país do arco-íris com uma marcha preciosa e colorida que explodiu de alegria”, relatou à EFE Matt Beard, o diretor da ONG internacional pró-LGBTI All Out, após o fim da manifestação.

Com o lema “Transformemos o ódio em amor”, a parada transcorreu com alegria, festividade, cantoria e danças, de forma pacífica, e contou com a presença de cerca de 500 pessoas, segundo a All Out, que organizou o ato reivindicativo graças a um crowdfunding, iniciativa de financiamento coletivo.

Parada do orgulho LGBT realizada na Suazilândia, país também conhecido como eSwatini, realizada em 30 de junho de 2018.

Parada do orgulho LGBT realizada na Suazilândia, país também conhecido como eSwatini, realizada em 30 de junho de 2018. Foto: Mongi Zulu / AFP Photo

Organizações sanitárias aproveitaram para distribuir preservativos e informações sobre o HIV e os testes de detecção, em um país onde uma em cada cinco pessoas está infectada pelo vírus da Aids, segundo dados da Onusida correspondentes a 2017.

Um dos organizadores e porta-voz da organização local Rock of Hope disse durante a parada ao canal sul-africano SABC que espera que depois da data, “mudem mentalidades”.

A Suazilândia, recentemente renomeada como Reino de eSwatini, é um pequeno país africano com menos de 1,3 milhões de habitantes onde as relações sexuais entre homens não são um crime por si só, mas sim por direito costumeiro, de modo que, ainda que não estejam explicitamente proibidas, há condenações a homens homossexuais por sodomia.

Parada do orgulho LGBT realizada na Suazilândia, país também conhecido como eSwatini, realizada em 30 de junho de 2018.

Parada do orgulho LGBT realizada na Suazilândia, país também conhecido como eSwatini, realizada em 30 de junho de 2018. Foto: Mongi Zulu / AFP Photo

Para as relações sexuais entre mulheres, porém, não existe clareza na regulamentação, assim como para a transexualidade, que não está proibida explicitamente, mas tampouco conta com uma regulamentação que permita a mudança legal ou médica de sexo.

À parada foram pessoas como Lindokuhle Mthupha, uma jovem “entusiasta” e “feminista”, como ela mesma se denomina.

“Muitos dos meus amigos e familiares formam parte da comunidade LGBT e sinto que tenho que lhes retribuir um pouco e mostrar meu apoio”, contou a jovem à EFE.

Parada do orgulho LGBT realizada na Suazilândia, país também conhecido como eSwatini, realizada em 30 de junho de 2018.

Parada do orgulho LGBT realizada na Suazilândia, país também conhecido como eSwatini, realizada em 30 de junho de 2018. Foto: Mongi Zulu / AFP Photo

As redes sociais, tanto em eSwatini como em outros países, tem recolhido numerosas mostras de apoio à parada, que irrompeu em um país conservador que segue sendo um dos menos desenvolvidos da África.

“Está se fazendo história”, “É um grande dia para estar viva”, “Como gay participo desde ato histórico para celebrar a diversidade e trocar o ódio por amor”, são algumas das frases que foram compartilhadas durante o dia no Twitter.

As relações entre pessoas homossexuais são permitidas em apenas 21 países da África Sub-Saariana, entre eles África do Sul, República Democrática do Congo, Chade, Ruanda e Costa do Marfim.

Parada do orgulho LGBT realizada na Suazilândia, país também conhecido como eSwatini, realizada em 30 de junho de 2018.

Parada do orgulho LGBT realizada na Suazilândia, país também conhecido como eSwatini, realizada em 30 de junho de 2018. Foto: Mongi Zulu / AFP Photo

No resto dos países subsaarianos, os “crimes contra a natureza”, que é como se denominam as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, carregam penas de prisão que vão desde a prisão perpétua em Uganda ou tanzânia até os 25 anos em Gana, passando pelos seis meses a três anos de cárcere em outros países como Guiné-Conacri, Somália e Burundi.

Inclusive, há a pena de morte por apedrejamento para homens na Mauritânia (a pena é de trÊs meses a dois anos para mulheres) ou castigos físicos no Sudão e trabalhos forçados nas Ilhas Maurício.

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Sean Davey-/AFP Photo
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