Presidente da IGLTA destaca potencial do Brasil em viagens LGBTQ

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Marcos Martins

O que o Turismo brasileiro pode aprender com outros mercados em relação ao segmento LGBTQ? O presidente e CEO da IGLTA, John Tanzella, traça um panorama do cenário global em relação à diversidade e sugere alguns comportamentos para que as empresas atendam melhor a este mercado bilionário.

Segundo Tanzella, o Brasil tem potencial para desenvolver destinos além das grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, mas os profissionais da indústria precisam de mais capacitação para atender melhor e criar produtos personalizados ao viajante LGBTQ.

Confira a entrevista na íntegra:

Como a IGLTA está posicionada hoje?

Somos a única associação global dedicada a promover opções de acolhimento para viajantes LGBTQ+ e os membros podem ser encontrados em, aproximadamente, 80 países. Também servimos como um recurso valioso para os profissionais do Turismo aprenderem mais sobre o mercado e realizarem conexões entre si para ampliar os negócios.

Quais destinos são referências?

Escritórios de Turismo que são vistos como líderes incluem Nova York, Reino Unido, Tailândia, Los Angeles, Espanha e Suécia. O Brasil e a Argentina estão no topo da América Latina, mas a Colômbia e o México estão aumentando seus esforços. Observamos também um aumento no envolvimento de Israel, Itália e Japão nos últimos anos. Outros destinos, que não são centros urbanos ou lugares tradicionalmente associados ao Turismo LGBTQ+ são Galena (Illinois), Guam (Ilha do Pacífico) e Juiz de Fora (Brasil).

O que o segmento precisa para crescer?

Mais empresas de Turismo devem fornecer treinamento sobre diversidade a suas equipes, para que todos os viajantes sejam considerados importantes e tratados de forma igual. São necessárias mais pesquisas sobre viagens LGBTQ+, pois esses materiais ajudam a educar a indústria e a demonstrar o impacto social e econômico da nossa comunidade.

Como a IGLTA avalia o Brasil enquanto destino para o público LGBTQ?

O Brasil tem muito a oferecer aos viajantes LGBTQ +, das praias do Rio de Janeiro e atividades urbanas de São Paulo às aventuras da Amazônia. Também tem uma história e entretenimento cultural tão diversificada, além de excelente gastronomia. O País tem se saído bem, mas ainda há um grande potencial para aumentar o Turismo LGBTQ+ fora das grandes cidades.

Como as questões políticas interferem no desenvolvimento deste nicho?

É uma situação difícil e complexa. Alguns viajantes podem optar por não visitar lugares devido às leis homofóbicas ou retórica dos líderes do governo, e muitos outros não permitirão que questões políticas influenciem suas decisões de viagem. Os políticos vêm e vão. Encorajamos os membros de nossa comunidade a estarem atentos às leis e normas culturais, mas continuando a explorar o mundo.

Como as agências e operadoras podem entrar nesse segmento?

Nós os incentivamos a ingressar na IGLTA, participar de nossas convenções e eventos de capacitação, além de conhecer fornecedores LGBTQ+ de todo o mundo, tendo o nosso website como referência (iglta.org/research). Sugerimos uma interação com a comunidade empresarial local e suporte a eventos em suas cidades de origem.

Quais dicas você dá para os profissionais aprenderem mais?

Leia a cobertura sobre viagens em mídias especializadas e estude as leis que afetam os viajantes LGBTQ em todo o mundo. Outra associação, a ILGA (International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans And Intersex Association), produz mapas com informações de país por país. E o Buyer/Supplier Marketplace, na Convenção Global Anual da IGLTA, oferece aos agentes acesso a reuniões individuais com fornecedores, mas também o registro da conferência que cobre todas as nossas sessões educacionais e hotel. Nossa próxima conferência será em Milão, na Itália, de 6 a 9 de maio de 2020.

Panrotas

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