No mês internacional pela luta dos direitos e igualdade das mulheres, conheça a história de Renata Taylor e Bruna Tavares

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Por Aline Bersa, Programação – TV Liberal

Mulheres transexuais conversaram com a TV Liberal sobre vivências, preconceito, conquistas e futuras gerações. Renata Taylor e Bruna Tavares são mulheres de gerações diferentes, mas que carregam em suas experiências a mesma luta. No dia internacional da luta por direitos e igualdade das mulheres, vale ressaltar a importância das lutas isoladas e muitas vezes solitárias, das mulheres trans.

Renata Taylor

Renata Taylor, cabeleireira e ativista — Foto: Ivam Henriques

Renata Taylor, cabeleireira e ativista — Foto: Ivam Henriques

Renata Taylor é cabeleireira e ativista. Está na luta por direitos das mulheres trans há pelo menos 30 anos e contou um pouco sobre o seu processo de autoconhecimento ainda na adolescência. Renata destacou o quanto esse processo foi complicado na época, principalmente pelo contexto social ainda muito condicionado à falta de informação: “O processo de autoconhecimento foi um pouco dolorido, porque eu não tinha referência e na verdade eu não sabia o que eu era de início, até a minha adolescência. Depois que eu me descobri uma mulher transexual eu não me aceitava como eu era, porque eu me achava super diferente do meio, eu pensei em alguns momentos, mas isso foi superado devido o apoio familiar que eu tive”

Ela destacou a importância das pequenas conquistas ao longo dos anos, especialmente na garantia de alguns direitos: “Eu tive muitos momentos difíceis, até me opor a andar na rua de dia, no centro comercial, eu fui muito hostilizada, já fui espancada na rua, eu tive uma situação na qual eu levei uma facada por ser trans. Então, há 30 anos atrás era muito complicado, hoje em dia já temos algumas garantias de direitos, mas a violência era muito visível”. A ativista salientou o quão era difícil na escola, o quanto não se tinha referências e representatividade de mulheres trans: “nós não tínhamos nada assegurado e hoje em dia já temos leis que nos amparam, hoje em dia temos meninas que são modelos, meninas que já conseguem adentrar no mercado de trabalho, estar presente em uma faculdade, numa escola. Hoje temos leis e portarias estaduais que nos garantem acesso à educação, ao bom tratamento, a um nome social, direito à dignidade humana mesmo de poder chegar e se autoafirmar, chegar no cartório e trocar a certidão de nascimento pelo nome que a gente se identifica e se conhece, então hoje em dia já temos um avanço”.

“Ser trans na minha juventude era ser sozinha. Não tinha a tecnologia que nós temos hoje. Antes não tínhamos computadores e nem internet para fazermos pesquisas e agora no próprio celular você consegue. Na minha época era uma luta muito pessoal e de autoconhecimento daquilo que você realmente era, do que você queria, o que você procurava para você mesma” Renata Taylor.

Bruna Tavares

Bruna Tavares é universitária e falou um pouco sobre o seu processo aceitação familiar e disse que esse foi um período muito conturbado internamente, principalmente por não receber o acolhimento familiar. Emocionada, abriu seu coração quanto ao seu processo de autoconhecimento: “O processo de autoconhecimento pra mim foi bem difícil. Apesar de eu ter referências e vir de uma geração que já tínhamos referências até na televisão, eu venho de uma família muito evangélica, isso dificultou um pouco a minha vontade de expressar a minha identidade de gênero.”

“Não dá pra fugir da gente, foi um dos piores momentos da minha vida e eu tinha na minha cabeça que eu ia começar a minha transição depois que eu já estivesse bem mais velha, no momento que eu já não dependesse tanto da minha família. Só que chegou em um ponto em que eu vi que não dava mais, ou era escolher ser eu mesma, ou deixar de existir, porque pra mim, não valia mais a pena” Bruna Tavares.

Bruna Tavares, estudante — Foto: Ivam Henriques

Bruna Tavares, estudante — Foto: Ivam Henriques

As conquistas por mais espaços e também respeito é citada pela universitária quando destaca: “É uma mudança, mas ainda não é a mudança que a gente precisa, tipo, eu não vou te agredir porque eu tenho medo de ir para a cadeia, em vez de não vou te agredir porque eu respeito a tua existência como uma pessoa igual que tem direitos e sonhos, temos ainda muito caminho pela frente, mas temos que reconhecer o que já foi conquistado. Se, ser da maneira que eu me identifico te incomoda, então o problema não está em mim”

Sobre a importância da representatividade, Bruna destaca o quão ter referências é significativo para a juventude trans, além da esperança na conquista por espaços. Cada pessoa tem seu lugar no mundo e o respeito é fundamental. “As pessoas têm que entender que não precisamos de aceitação e sim de respeito” Bruna Tavares.

Acompanhe na íntegra, como foi a troca de experiências de vida entre Renata e Bruna.

Vídeo 3 Dia da Mulher TV Liberal

Vídeo 3 Dia da Mulher TV Liberal

A luta pela igualdade e direitos das mulheres transexuais e trangêneros segue a passos lentos, retrato de uma sociedade muito pautada em preconceitos, em uma sociedade que não demonstra empatia pela luta do outro, mas que a resistência e potência de mulheres como Renata e Bruna são uma esperança para conquistas que certamente, advém com grandes expectativas para uma parte da sociedade ainda subjugada e marginalizada. As mulheres trans se movimentam e movimentam o mundo com elas, mulheres fortes que usam sua voz para reverberar seus anseios e sonhos pela

Essa luta inclusive será pauta no Profissão Repórter de hoje (09), retratando os desafios e o cotidiano de mulheres transexuais na política, em uma sociedade extremamente machista e preconceituosa. O Profissão Repórter começa após mais um episódio da série Todas as Mulheres do Mundo, na TV Liberal.

Rede Globo

 

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