Não parece, mas é homofobia: 20 frases que ofendem e devem ser abolidas

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Via @marieclairebr | Homens e mulheres homossexuais estão cansados de ouvir piadinhas que sempre vêm com um (quase) pedido desculpas ou mesmo sem maldade aparente. O plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu em sessão realizada no último dia 13 de junho pela criminalização da homofobia, deixando os gays, lésbicas e transexuais um pouco mais amparados e seguros.

Apesar do passo gigante, algumas frases “inocentes” precisam ser reconhecidas como homofóbicas e descartadas dos elogios.

“Criminalização da homofobia é muito mimimi”

Essa frase foi dita por uma pessoa da minha família e fiquei chocado quando ouvi. Tentei explicar para ver se ela entendia que aquele discurso era preconceituoso, mas foi em vão. Fiquei triste com isso e entendi que ela tem este pensamento por nunca ter passado por preconceito. De todo modo, isso não justifica o que disse. Uma pessoa heterossexual, que tem um padrão de vida da família ‘direita’ não conhece a fragilidade da segurança pela qual um LGBTQI passa. Pensando desta forma, ela está concordando que eu, gay, posso sofrer violência física sem que o agressor seja punido ou mesmo que eu não tenha um respaldo da lei para lutar pelos meus direitos como cidadão.

Tiago Fabreti Mantoani, 35 anos, cabeleireiro.

“Você é tipo homem. Não vou trocar de roupa na sua frente”

“Você é gay? Ah, então entende muito de moda, né? Me dá umas dicas”

“Não precisa se beijar na rua”

Acho que de todas as frases, essa é a que mais me incomoda. Só quem enfrentou o bullying por isso na adolescência e sofreu com o preconceito na própria família sabe o peso que ela tem. Sair do armário é uma luta e não faz sentido retroceder porque João ou Maria não podem ver duas pessoas de mãos dadas ou se beijando na rua. Amor não é e nunca será o problema; o preconceito, sim. Ele é que deve ser tratado.

Angélica Morango, 36 anos, DJ e ex-BBB.

“Nossa, que desperdício é ele ser gay”

“Ih, se é viado cuidado: a maioria tem Aids”

Isso estigmatiza um grupo que é atacado desde o início da transmissão da Aids na sociedade. Hoje em dia sabemos que não existem grupos de risco, mas sim comportamentos de risco dentro das relações sexuais, sejam elas homo ou heterossexuais. Quando estigmatizamos esse público, estamos colaborando para que a LGBTfobia aumente e junto venha a sorofobia, que também é crime.

Lucas Raniel, 27 anos, youtuber e ativista.

“Não precisa ficar contando para todo mundo que você é gay”

“Sabia que você vai para o inferno?”

“Daqui a pouco vai querer tirar minha liberdade religiosa me acusando de homofóbico”

Essa frase circulou na internet, por pessoas que aparentemente precisam ser homofóbicas para encontrar Deus. Que sorte eu tenho de ter minha espiritualidade independente da afetividade dos outros! Quando eu soube que usavam a Bíblia para questionar minha existência fui ler e me descobri um fã irredutível de Jesus Cristo: um cara que veio para mudar como as pessoas se tratavam e nunca encheu o saco das bichas. Costumo responder que se a religião da pessoa se chamar Levítica ou Romana, que são os livros que condenam homossexuais, que essa pessoa vá fundo nessa crença, dentro do seu culto, mas se for cristã, que escute melhor o que Cristo falou. A história se divide entre antes e depois da chegada dele e tem gente insistindo em viver no antes. A ciência moderna diz que a Terra é redonda, o homem tem o mesmo tanto de costelas que a mulher e a sexualidade é definida antes do nascimento, durante a gestação, por motivos biológicos e genéticos que fogem do nosso controle, assim como a cor do olho ou altura. A ciência nos faz entender o que vemos, a espiritualidade o que não vemos e Deus já deu prova suficiente da sua criatividade para ter criado apenas pessoas heterossexuais.

Hugo Bonemer, 31 anos, ator.

“Adoro ver duas mulheres se pegando. Posso entrar no meio?”

“Vocês são dodói demais, tudo se ofendem ou querem militar. Não aceitam opiniões contrárias”

 

Amodireito

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