Na Turquia, comunidade LGBT é alvo de discursos de ódio por parte das autoridades

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Além de agressões verbais, a população sofre com censura de produções audiovisuais e marcas pró-LGBT.

Larissa Lopes, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 23/02/2021, às 14h11

A Turquia vem passando por uma onda de hostilidade frente à população LGBTQIA+, que engloba discursos homofóbicos, séries com personagens gays censuradas e marcas boicotadas. As informações são da agência de notícias AFP, repercutidas pelo Uol.

“Antes, havia ondas de ódio que depois se acalmavam. Mas agora, já dura meses, está se transformando em um tsunami”, afirmou Murat, jovem homossexual turco de 30 anos.

Os desacatos são contraditórios no país. Antes, muitas pessoas da comunidade LGBT procuravam refúgio em Istambul, cidade da Turquia, depois de serem perseguidas no Oriente Médio.

Associações que lutam pela causa denunciaram uma ‘campanha de ódio’ vinda do atual presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

Para Can Candan, professor e documentarista, o governo lançou essa onda para desacreditar as manifestações estudantis, que ocorreram nas últimas semanas na Universidade Bogazici, em Istambul.

“Mas é um jogo extremamente perigoso, porque o discurso de ódio causa crimes de ódio”, acredita o professor turco.

O estopim dos protestos foi uma ‘polêmica’ obra de arte: um estudante representado em um local sagrado do Islã, com uma bandeira LGBT sobre seu corpo. Autoridades fecharam, no início deste mês, o estabelecimento que exibia a obra.

Duas declarações chamaram a atenção da população turca. Süleyman Soylu, ministro do Interior, disse que as pessoas LGBT são “degeneradas”, enquanto o presidente afirmou que “essas lésbicas ou o que quer que sejam” não poderiam ser ouvidas.

No dia 3 de fevereiro, discursando na televisão, o presidente declarou: “LGBT, isso não existe”.

Para a população, além dos protestos, permanece o clima de medo. “Na rua, as pessoas não nos olham mais apenas como diferentes ou originais, mas como traidores da nação”, contou Alaz Ada Yener, membro da associação de defesa dos direitos LGBT — a LAMBDA —, que se identifica como não binário.

Cancelamento

Em 2020, a plataforma de streaming Netflix cancelou a produção de uma série turca, porque haveria um personagem gay e não houve permissão das autoridades do país para rodar o projeto.

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