Museu on-line homenageia personalidades LGBTQIA+

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A exposição inaugural do museu, que vai até o dia 26 de novembro, retrata a vida e história do jornalista conhecido como João do Rio

Composto principalmente por fotos, vídeos e textos históricos, o Museu Bajubá comporta um acervo totalmente on-line e gratuito, que se concentra em preservar a memória e o patrimônio histórico e cultural da população LGBTI+. A exposição inaugural do museu, disponível até o dia 26 de novembro, retrata vida e história do jornalista João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, também conhecido como João do Rio.
O Bajubá surgiu de esforços da historiadora e pesquisadora Rita Colaço, em parceria com os pesquisadores Luiz Morando e Remom Matheus Bortolozzi, também especializados em memória LGBTI+ brasileira. Com o intuito de minimizar apagamentos da comunidade, o museu reúne, organiza e difunde conteúdo documental, socioeconômico e cultural de diversidade sexual e de gênero que envolve pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexo, entre outras.

“Bajubá (e sua variante pajubá) é o socioleto utilizado pelo segmento LGBTI+ para, de um lado, expressar um linguajar próprio, de compreensão restrita à própria comunidade, produzindo formas de resistência, defesa e ajuda mútua, e, por outro lado, destacando suas manifestações artísticas, seu humor, linguajar e suas identidades”, explica o cofundador Luiz Morando.

“O Museu Bajubá contribui para retirar do apagamento histórico um segmento social que, embora condenado a viver nas sombras, criou formas de lazer, profissões artísticas e mecanismos de cuidado recíproco e participou da construção da cultura local e nacional”, destaca a idealizadora do projeto, Rita Colaço.

Cabe frisar que o Brasil é o país que mais mata pessoa LGBTI+: uma morte registrada a cada 23 horas. Segundo o relatório do Observatório de Mortes Violentas de LGBTI+ no Brasil, em 2020, 237 pessoas morreram em decorrência de crimes contra a comunidade. As vítimas da homotransfobia corresponderam a 224 dos homicídios e 13 suicídios.

O número teve leve queda em relação a 2019. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, em 2019, 329 LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) tiveram morte violenta no Brasil. Foram 297 vítimas da homotransfobia e 32 suicídios.

João do Rio

A exposição inaugural do museu, “Cintilando e causando frisson – 140 anos de João do Rio”, narra a história do “mulato gordo e afeminado” (sic) que foi jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo brasileiro. A mostra é dividida em 10 eixos temáticos, que somam cerca de 90 imagens. Elas abordam recortes, como transformações urbanas, produção literária, atuação na ABL, momentos importantes da vida do autor e também sua morte.

Para Luiz Morando, a importância de João do Rio compreende várias camadas. “Ele foi um dos criadores da crônica jornalística moderna. Tinha um olhar etnográfico e antropológico, era muito aguçado e perspicaz. Era uma pessoa muito sensível e à frente de seu tempo”, avalia. Um dos precursores da crônica-reportagem, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras aos 29 anos, em sua terceira tentativa.

João também foi notado por ser um dos primeiros profissionais de imprensa a sair da redação para, da rua, cobrir os acontecimentos que tomavam conta da atenção carioca no início do século 20. Naquela época, já denunciava a violência policial, a exploração sexual de crianças e mulheres, as péssimas condições trabalhistas, bem como defendia greves de pescadores, taxistas e de menores trabalhadores na indústria têxtil. Em 1920, fundou o jornal A Pátria, para denunciar as injustiças sociais vividas.

Morreu em 23 de junho de 1921, dentro de um táxi, vitima de um infarto fulminante Segundo relatos da imprensa, cerca de 100 mil pessoas acompanharam o cortejo do funeral, numa época em que a população do Rio de Janeiro não passava de 800 mil habitantes.

Considerado uma referência em trabalho de arte funerária carioca, João do Rio teve seus restos mortais sepultados em uma tumba de mármore italiano e bronze, em Botafogo, no Rio de Janeiro. O nome Paulo Barreto também batiza uma rua em Botafogo e uma praça em Lisboa, Portugal.

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Futuro

Inicialmente, o Museu Bajubá tem se dedicado ao resgate das memórias vivenciadas e dos territórios constituídos no Rio de Janeiro e em São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte. O plano, segundo a idealizadora, Rita Colaço, é que outras cidades sejam incorporadas ao projeto.

“Estamos trabalhando com afinco para alimentar nossa plataforma virtual com os roteiros dos territórios já musealizados (as Estações/Giras já existentes, isto é, RJ, BH, SP e Curitiba), além das próximas exposições comemorativas programadas. Também queremos seguir incorporando outras cidades, por meio de parcerias, como é o caso na novíssima Estação de Campos dos Goytacases, no norte do estado do Rio de Janeiro”, destaca a pesquisadora.

A próxima exposição do Museu Bajubá será sobre a edição do Miss Travesti de Belo Horizonte, de novembro de 1996, que foi uma competição realizada secretamente, já que era uma atividade marginalizada pela sociedade, à época.

“A exposição focará na prática da ‘montação’ desde Ivana, no Rio, no início dos anos 1950, passando pelas atividades de shows, espetáculos, concursos e desfiles como forma de criar, estimular e aprofundar territórios de sociabilidade, convivência e resistência de gays e travestis”, explica Luiz Morando.

Metrópoles

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