Investimentos específicos para LGBTQIA+ podem contribuir para redução das desigualdades

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O 28 de junho é marcado pelo Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, e a agenda de visibilidade se estende por todo o mês.  No entanto, a falta de informação e preconceito ainda são alguns dos entraves para que essa comunidade possa ter a garantia de direitos básicos, como acesso ao mercado de trabalho.

Segundo pesquisa do Center for Talent Innovation realizada em 2016, 61% dos funcionários gays e lésbicas optaram por não revelar a sexualidade para gestores e colegas por medo de perderem o emprego. O mesmo estudo revelou que 33% das empresas do Brasil não contratariam para cargos de chefia pessoas LGBTQIA+. De acordo com dados de 2020 da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% das travestis/mulher trans se prostituem por não terem conseguido outro emprego.

Para o coordenador do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBTQIA+ da Bahia (CPDD-LGBT), Renildo Barbosa, é necessário apoiar entidades que atuem com estes grupos  historicamente atravessados por questões singulares e que precisam ser tratados de forma distinta.

“Quando a gente trata do público de travestis e transexuais, que é um público que está ainda na busca por direitos básicos como poder ir ao posto de saúde, sair de casa, entendemos que são necessárias estratégias específicas.”

O Centro é coordenado pela Instituição Beneficente Conceição Macedo (IBCM), com 35 anos de atuação no acolhimento de pessoas LGBTQIA+. No final da década de 80 a instituição acolhia pessoas rejeitadas durante pandemia de HIV e AIDS, atitude que persiste até os dias de hoje.

Os desafios a garantia de direitos 

Para manutenção e ampliação dos projetos e instituições é necessário que haja recursos. Reinaldo Barbosa afirma que editais específicos para a população LGBTQIA+ é um dos principais avanços que podem ocorrer no investimento social privado. Para o gestor, chamadas genéricas voltadas para raça e gênero auxiliam, mas a disputa é grande com outras organizações que não atuam com a população LGBQIA+ e nem conhecem suas especificidades.

“No campo do trabalho, por exemplo, nós temos financiamentos para diversos tipos de empreendedores, mas muitas vezes LGBTQIA+ não tem acesso a essas políticas por conta de todas as questões que enfrentam.”

Kaká Verdade, Coordenadora Executiva do Fundo Elas, concorda e acredita que investimentos sociais que apostem nessa população  são imprescindíveis.

“É fundamental ter recursos no Brasil para editais que são voltados a população LGBTQIA+, implementando ideias de transformações sociais que inspirem políticas públicas de enfrentamento a violência e discriminação.”

Gife

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