Exposição com temática LGBT é vandalizada em Salvador: ‘Só bala’

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Da Redação
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Imagens de lambe-lambes que fazem parte da primeira parte da exposição urbana É SÓ AMOR foram vandalizadas menos de 24 horas após serem colocadas em exposição nas ruas do Centro Histórico de Salvador. Instaladas na madrugada dessa terça-feira (2), as diversas fotos que exibem afeto entre dois homens, pregadas na parede, foram danificadas antes do anoitecer.

A única que se manteve inteira foi a imagem que mostra o rosto do idealizador do projeto, Luiz Antônio Sena Jr. “A pessoa quis destruir a mensagem e o afeto. A única imagem que ficou foi a imagem do meu rosto onde escreveram na testa ‘só bala’. É uma ação que grita que é homofobia”, observa ele.

Sena Jr ainda pontua que não esperava essa reação em tão pouco tempo. “Nós imaginávamos que pela própria característica da linguagem dos lambes-lambes, o tempo iria dar conta deles. Mas nós não imaginávamos essa reação violenta em 24 horas”, declarou.

Em resposta aos ataques, a equipe do projeto tem colocado os lambes em locais estratégicos e, como dizem, ‘vendo o que acontece’. “Apesar do medo que estamos começando a sentir, o plano é manter o projeto. (…) Só precisarei repensar a performance, porque na segunda parte eu iria lançar alguns balões com tinta vermelha e convidar o público a fazer também para representar a violência diária que sofremos. Mas, desta vez, a violência se adiantou”, lamentou ele.

Sobre a mostra
Pensada com base em um levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2017, que informava que 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e até heterossexuais foram assassinatos ou cometeram suicídio por circunstâncias homofóbicas no Brasil. Na Bahia, foram 35 mortes.

Muitos desses assassinatos ocorreram em lugares públicos (57%), em momentos afetivos da vítima com parceiros e/ou com amigos.

Luiz Antônio Sena Jr pretendia levar para as ruas do Centro Histórico a exposição de fotos que trazem situações cotidianas de homoafetividade.

“Essa exposição tem o intuito de convocar a reflexão a respeito da violência que as expressões homossexuais sofrem cotidianamente”, explica o artista.

A exposição integra o projeto homônimo É SÓ AMOR³, que ‘fricciona’ realidade e ficção e tem como base a arte documental. “Sou homossexual e vejo muitos dos meus pares sendo agredidos das diversas formas possíveis. A intenção dessa ação é discutir homofobia e a homoafetividade”, destaca o artista.

As fotos também serão colocadas na Rua Carlos Gomes, Rua Chile e, por fim, na Praça da Sé. A exposição não tem previsão de término, ficando sujeita a ações climáticas e sociais, segundo o artista.

A exposição trabalha com três linguagens diferentes representadas pelos artistas: Luiz Antônio Sena Jr (teatro), Tina Melo (artes visuais e performance) e Mayara Ferrão (audiovisual, fotografia e artes visuais). Estas duas assumiram o papel de provocadoras performativas no ensaio fotográfico. No decorrer do processo e na sessão de fotos, elas questionaram a Luiz Antônio quais signos afetivos e situações cotidianas podem ser suscitar crimes homofóbicos.

A intenção era que a obra fosse construída processualmente. A primeira fase seria a fixação das fotografias em lambes. No segundo momento, esses quadros sofreriam intervenções performáticas com balões de tinta vermelha lançados pelo artista e performer idealizador, que agora já avalia a possibilidade de mudar seus planos.

 

 

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