Estudantes da UFCG promovem debate sobre LGBTfobia

0

Mônica Lourenço

Como proposta de campanha educomunicativa na área da publicidade e propaganda, um grupo de estudantes da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, Campus Campina Grande, promoveu no último dia 4 de novembro, uma mesa redonda sobre a temática “LGBTfobia é crime, denuncie!”.

O tema foi escolhido após uma análise da conjuntura política atual, na qual tem se propagado no país um discurso de ódio às pessoas que não se enquadram ao padrão normativo de heterossexualidade, a partir de vivências particulares, os jovens Luis Luciano, Adevancris, Sabryna Simões e Mônica Lourenço a mesa redonda abordou temáticas como a LGBTFOBIA, a influência da representatividade e apresentou o Centro Estadual de Referência LGBT Luciano Bezerra.

O evento contou com a presença de Edvan Gonçalves, psicólogo do Centro de Referência LGBT e também com a presença de Herry Charriery, advogado que assessora o Centro de Referência LGBT. Durante o diálogo desta mesa redonda, foram colocadas algumas questões que motivaram o desenvolvimento das discussões.

Estudantes que participaram da Mesa Redonda. / Reprodução.

Luciano colocou que é uma questão de vida que haja respeito à diversidade sexual, no sentido em que toda orientação sexual é legítima. No discurso da ciência quando vai estudar a história da sexualidade, vemos que as diferentes formas de sexualidades foram instituindo a partir de dogmas que reconhecem uma forma de expressão como padrão ou aquele que tem que ser seguido, o que foge a este padrão, passa a ser um discurso de repressão. Há desta forma, um discurso social, científico e cultural de tentativas de aniquilar essas diferenças, como exemplo desse discurso. Luciano citou as inúmeras pesquisas que ainda acontecem em torno da sexualidade para “entender” as diferenças patológicas, a neurociência quando se propõe a trabalhar para compreender essas diferenças. Luciano deixa uma questão para reflexão de que tais pesquisas possuem o objetivo de que no futuro a ciência possa controlar a fecundação e geração de novos seres “que não sejam LGBT”, prova disto é que tais pesquisas não sai realizadas para entender a heterossexualidade.

Herry pontuou questões de direitos que deveriam ser garantidos por Lei e pelo Estado brasileiro. Destacando que uma pessoa cuja a orientação sexual foge a normativa da heterossexualidade também é uma pessoa de direito. Historicamente falando, o mesmo cita algumas questões que foram acontecendo com o passar dos anos, como papel social imposto às mulheres, a partir desta construção de inúmeras identidades põe-se o sujeito negro, pobre, mulher como margem da sociedade. Do ponto de vista jurídico, o poder judiciário tem fortalecido “este corpo determinado para morrer”, devido ao fato de que este poder continua o mesmo do século XVIII e XIX, carregando as velhas estruturas da casa branca e das senzalas, sendo o mesmo poder judiciário que não sabe como tratar a mulher vítima de violência, que não sabe o significado da Constituição Federal no tocante aos direitos da comunidade LGBT.

É fato de que há uma cultura de ódio e preconceito para com a comunidade LGBT, existem conquistas a exemplo da aprovação de que LGBTFOBIA é crime mas que ainda não é o suficiente, é necessário mais políticas públicas de segurança e saúde. O Centro de Referência Estadual dos direitos de LGBT e enfrentamento à LGBTfobia da Paraíba – Espaço LGBT Luciano Bezerra Vieira é um local de acolhimento a comunidade LGBT com o objetivo de promover a cidadania e os direitos humanos de LGBT. Oferecendo serviços jurídicos, psicológicos, serviços sociais e referência para Ambulatórios TT/CHCF.

Edição: Heloisa de Sousa

Brasil de Fato

Compartilhar.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of
Athosgls 21 anos fazendo a diferença na comunidade LGBT Mundial. Marca registrada.