CNN No Plural+: A comunidade está no front

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LGBTQIA+ encaram mais uma guerra; leia estreia da coluna semanal do CNN No Plural

Antes de você dedicar o seu precioso tempo para ler esse texto, reportagem ou relato, podemos chamar como quisermos, já que o importante é ressaltar a conquista desse espaço para a comunidade LGBTQIA+, quero dizer que pensamos muito sobre o que falar no nosso assunto de estreia.

Há mais de um mês o mundo parou para acompanhar a invasão do exército russo em território ucraniano, e a pergunta foi inevitável: como a comunidade LGBTQIA+ está no meio desse conflito? Quando começamos a pesquisar, não imaginaríamos o que iríamos ouvir.

Depois de oito anos sem pisar na Ucrânia, sua terra natal, o ator Alex Budin, de 39 anos, nascido na Crimeia, e hoje morador nos Estados Unidos, tomou coragem e fez a tão sonhada viagem. O que ele não sabia é que a Rússia invadiria seu país natal e isso dificultaria o seu retorno.

“Quando a guerra começou eu estava em Kiev, com meus amigos, a maioria LGBTQIA+, e eu precisei sair da cidade. Fiquei dois dias tentando pegar voos, mas todos foram cancelados”, conta.

O cenário de guerra é assustador e preocupante para qualquer um que esteja em meio a um conflito, mas para Alex parece ser ainda mais complicado, por ser um homem gay e trans. E eu destaco isso porque a sociedade ucraniana ainda é extremamente homofóbica e preconceituosa.

O ataque militar da Rússia, que Moscou chamou de “operação militar especial”, causou ondas de choque na comunidade LGBTQIA+ da Ucrânia, em parte porque o presidente Vladimir Putin sabidamente restringe direitos da comunidade há alguns anos, e uma possível tomada russa da Ucrânia poderia significar a incorporação dessas leis anti-LGBT em território ucraniano.

Alex em Kiev
Alex, homem gay e trans, em Kiev / Arquivo pessoal

“Na Ucrânia, não temos mais barreiras para ir para a Europa [países da União Europeia] como antes, antes tínhamos que tirar o visto da zona Schengen para ir, era super complicado. Hoje, as pessoas podem viajar livremente para onde e quando, e a partir desse simples intercâmbio cultural as pessoas começaram a ser mais educadas e passaram a ser mais tolerantes com outras pessoas, com outras nações, outras etnias. E isso ajudou a comunidade LGBTQ dentro da Ucrânia a se tornar parte da sociedade, com menos pressão ou agressão”, conta Alex.

Não é de hoje que o governo russo preocupa Alex. Em 1999, com dezoito anos, ele saiu da Crimeia, região tomada pelo Kremlin, onde vivia com os pais. De lá, se mudou para a Kiev, para conseguir fazer a transição de gênero e tirar novos documentos.

“Nessa época, não tinha nenhuma informação sobre a comunidade trans, então eu não tinha ideia de quem eu era ou o que estava acontecendo comigo, e na área médica ninguém queria assumir qualquer responsabilidade por algo que desconheciam. Por isso, fui transferido muitas vezes para diferentes instituições até conseguir fazer a transição e tirar meus documentos”.

Com medo da perseguição, pediu asilo nos Estados Unidos e hoje vive com o marido e o cachorro em Los Angeles. Quando a guerra estourou, começou uma longa jornada para conseguir para sair do país. Logo após as primeiras bombas, precisou se esconder em um bunker numa estação de metrô e, aos poucos, foi chegando perto da fronteira da Hungria.

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