Psicólogos revoltados com colega que defende terapias para curar gays

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A investigação da TVI veio abalar o mundo dos psicólogos portugueses.

por Patrícia Martins Carvalho 

A TVI denunciou, no último dia 10, a existência de uma espécie de sociedade secreta composta por psicólogos, psiquiatras e padres da Igreja Católica que organizam sessões com o objetivo de curar a homossexualidade.

A investigação da jornalista Ana Leal caiu como uma ‘bomba’, em especial no terreno dos psicólogos, pois há uma profissional que é identificada na reportagem.

Nesta senda, a Ordem dos Psicólogos já fez saber que discorda destas posições defendidas por, pelo menos, uma das suas profissionais e, num comunicado emitido a este respeito, lembra que, “de acordo com toda a evidência científica disponível, o muito amplo consenso entre investigadores e profissionais e a posição das principais organizações profissionais de Saúde e de Psicologia internacionais, a homossexualidade não é uma perturbação mental nem implica qualquer tipo de incapacidade, sendo uma variante da sexualidade humana, não podendo ser, desta forma, associada a qualquer forma de psicopatologia”.

Aliás, a Ordem dos Psicólogos sublinha mesmo que são o “preconceito, a violência e o estigma social sobre a homossexualidade que podem causar sofrimento psicológico” e deixa claro que “terapias de conversão ou reparação que procurem reduzir ou eliminar a homossexualidade não têm qualquer fundamento”.

Posto isto, e face à exposição pública a que a psicóloga Maria José Vilaça foi sujeita, a Ordem faz saber que “participou os factos em causa ao Conselho Jurisdicional” que tem como “competência zelar pelo cumprimento da lei, do estatuto e dos regulamentos internos, quer por parte dos órgãos, quer por parte de todos os membros da Ordem dos Psicólogos Portugueses”.

Mas a posição assumida publicamente pela Ordem dos Psicólogos não foi suficiente para 255 profissionais que exigem que sejam tomadas mais medidas.

Numa carta aberta, publicada no jornal Público, os psicólogos que a assinam exigem que a Ordem “investigue os/as psicólogos/as que fazem uso das práticas em questão, agindo em conformidade com o Código Deontológico e todos os preceitos éticos que lhe estão subjacentes”.

Os mais de 250 psicólogos consideram ainda que “práticas como as que têm vindo a ser denunciadas merecem uma investigação séria e consequente, sem margem para qualquer dúvida sobre o seu carácter lesivo e nefasto”.

“Não aceitamos que num país livre e democrático, evidências como as apresentadas sejam relativizadas ou menorizadas, prejudicando de forma significativa a saúde e o bem-estar das pessoas LGBTI”, apontam, defendendo ainda que o “tempo útil dos/as clientes cujo bem-estar e saúde mental são prejudicados pelas práticas de conversão ou de reorientação não é o tempo dos trâmites processuais que se arrastam”.

Entretanto em resposta enviada ao Notícias ao Minuto por fonte oficial, a Ordem dos Psicólogos lembra que todas as denúncias devem ser analisadas em “local próprio, de forma isenta, consciente e longe de pressões externas, ou seja, no Conselho Jurisdicional” que, nos últimos oito anos, já recebeu e analisou “cerca de 800 denúncias”.

Quanto ao tema em causa, a Ordem fala em “não existência de quaisquer dados na nossa posse que indiciem a existência de práticas relacionadas com as chamadas ‘terapias de conversão’, para além das formas de declarações públicas conhecidas do público em geral”.

Ainda assim, a mesma fonte sublinha que “todos os cidadãos, com conhecimento de causa de situações que possam consubstanciar má prática profissional, devem disso dar conhecimento, com relato de todos os factos, ao CJ da OPP”.

Pese embora as “Ordens não tenham poder fiscalizador” é ainda salientado, na mesma resposta ao Notícias ao Minuto, que a Ordem dos Psicólogos tem a “obrigação de informar/formar os [seus]membros e divulgar junto da sociedade em geral informação sobre o papel e limites da intervenção psicológica, assim como analisar, através do CJ, todas as denúncias que nos chegam”.

“E é exactamente isso que temos vindo a fazer”, remata a mesma fonte.

 

Notícias ao Minuto

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