Polícia turca tenta impedir tradicional parada do orgulho gay em Istambul

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Apesar da repressão, cerca de 200 pessoas conseguiram romper o cerco e protestar contra a violência policial.

Istambul, 1 jul (EFE).- Unidades da tropa de choque da polícia da Turquia estabeleceram neste domingo vários controles ao redor da Praça Taksim e na rua adjacente Istiklal, a principal via comercial e de lazer no centro de Istambul, para impedir a passeata anual do orgulho gay, que foi convocada para hoje.

Os agentes, que estavam acompanhados de unidades caninas, não permitiram a passagem de pessoas com cartazes, bandeiras de arco-íris e outro tipo de indumentária similar.

Apesar do controle policial, cerca de 200 pessoas conseguiram se reunir na rua Istiklal, onde gritaram palavras de ordem como “Amor e liberdade”, dançaram e aplaudiram.

No fim, os coordenadores leram uma declaração na qual denunciaram “os crimes de ódio e a violência policial”.

“O governo acredita que as pessoas LGBT são uma ameaça”, disse à Agência Efe uma das coordenadoras da manifestação, que se identificou como Gökçe.

“O governo não acredita na igualdade entre as pessoas. Vê os gays, lésbicas e transexuais como pessoas doentes. Hoje não permitiram o acesso às ruas do centro para muita gente por sua aparência. Não querem que nós nos expressemos”, afirmou a ativista.

Gökçe, no entanto, não atribuiu a culpa somente ao governo turco, formado por Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), que está no poder desde 2002: “O que a Turquia necessita é de uma mudança sociológica. Uma mudança de mentalidade”.

Esta é a quarta vez consecutiva que o governo proíbe a Passeata do Orgulho Gay em Istambul desde 2003 e que, até 2014, registrava a cada ano uma maior afluência, até conseguir reunir dezenas de milhares de pessoas em um ambiente sempre festivo e pacífico.

Porém, em 2015, o escritório do governador proibiu o evento, e o veto se repetiu desde então todos os anos, às vezes com a desculpa de que a passeata coincidia com o mês sagrado muçulmano do ramadã ou que “prejudica o turismo”.

“Há dois anos, quando havia muitos atentados, o governo ainda tinha uma desculpa, mas agora não entendo por que eles proíbem a manifestação. É uma questão de moral, não de segurança”, opinou em conversa com a Efe o estudante Emre.

“Acredito que cada vez mais temos menos liberdade de expressão, mas não desistimos. Se eles querem proibir a manifestação que a proíbam. Temos um programa da semana do orgulho muito extenso, a manifestação é só um dos eventos… Podemos fazer política através deles, não só na manifestação”, acrescentou o estudante.

Na Turquia a homossexualidade é permitida desde 1858 e em Istambul e Ancara há uma vibrante comunidade gay com locais de lazer e casas de espetáculos, mas, nos setores mais conservadores da sociedade, representados pelo atual governo islamita, ser homossexual é considerado uma aberração.

 

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