Pessoas LGBT, o que as empresas têm a ver com isto?

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Falar sobre orientação sexual ainda é um tabu em boa parte das organizações – mas não deveria

No dia 17 de maio é celebrado o Dia Internacional Contra a Homofobia. Cada vez mais empresas utilizam a data para se posicionar a favor de uma cultura inclusiva com base no respeito e na qualidade das relações.

Este tipo de iniciativa ajuda muito a avançarmos no tema na medida em que dá luz a um enorme desafio da sociedade, sobretudo do ambiente corporativo. Falar sobre orientação sexual ainda é um tabu em boa parte das organizações. Isto ocorre em parte pelo desconforto de muitos em considerar as diferentes possibilidades de afeto entre as pessoas. A justificativa dada por estes é que a empresa não deve entrar em assuntos que dizem respeito à intimidade do funcionário.

O argumento, inicialmente, parece convincente, mas quando olhamos com mais atenção a rotina e a dinâmica das relações dentro de uma organização verificamos, sem muita dificuldade, que a vida afetiva de cada colaborador está bastante presente e impacta diretamente seu dia a dia. Relatar o fim de semana com o namorado, atender o telefonema da esposa e até mesmo dividir com o colega as intenções em chamar alguém para jantar são situações comuns e que passam desapercebidas. Este cenário muda drasticamente quando o namorado ou a esposa em questão são do mesmo sexo do funcionário.

É comum pessoas homossexuais se afastarem para atender uma chamada do namorado ou mesmo omitirem ou inventarem fatos sobre o fim de semana, com receio de serem prejudicados em função de sua orientação sexual. Uma outra situação corriqueira nos corredores das organizações são as piadas que expõem e ridicularizam pessoas por serem homossexuais, mesmo que não sejam.

Um dos reflexos deste ambiente hostil é o baixíssimo número de solicitações de benefícios corporativos como o plano de sáude para cônjuges do mesmo sexo. Mesmo sendo lei no Brasil desde 2011, quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união homoafetiva, o ambiente pouco inclusivo faz com que pessoas LGBT+ abram mão deste direito com receio de serem prejudicadas ou expostas.

A atitude de “sair do armário” é única e exclusiva da própria pessoa, mas é inegável que a qualidade do ambiente que a cerca se torna um fator de grande influência no seu processo de tomada de decisão.

Para se avançar no tema, precisamos ir além dos aspectos legais. É necessário promover um ambiente respeitoso e inclusivo para que as pessoas não precisem deixar parte de si em casa quando forem trabalhar.

Além disto, um ambiente amigável impacta diretamente no sentimento de pertencimento, no engajamento e, consequentemente, na produtividade das pessoas. Ações de comunicação e a promoção de diálogos que explicitam o posicionamento da empresa a favor da diversidade contribuem muito para a construção deste ambiente.

A empresa deve garantir que o respeito e a inclusão sejam valores inegociáveis.

*Guilherme Bara é gerente de Diversidade e Inclusão da Fundação Espaço ECO, consultoria que oferece soluções de sustentabilidade aplicada, gestão e diversidade para promover desenvolvimento sustentável no ambiente empresarial e em toda a sociedade

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