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A busca pela identidade: os desafios de ser transgênero no Brasil

09/10/2017:

 Por Rafaella Martinez

 

Os desafios enfrentados no Brasil, um país com mais de 700 mil pessoas que não se identificam com o gênero biológico, mas que ao mesmo tempo o que mais mata travestis e transexuais no mundo

 

Falar sobre identidade de gênero é caminhar por um universo ainda aberto e passível das mais diversas interpretaçõesFoto: Rodrigo Montaldi/DL

 

Quando criança, Bento Araújo nunca entendeu o motivo pelo qual a imagem no espelho não refletia seu verdadeiro eu. A inadequação na infância o acompanhou durante a puberdade: se questionava por qual motivo não podia namorar uma colega de sala e por que precisou começar a usar blusa para jogar bola na rua durante a pré-adolescência. “Nenhum amigo passava por aquilo. Por qual motivo eu tinha que passar, já que eu também era um menino?”, relembra.

É considerado transgênero o indivíduo cujo comportamento se distancia das regras estabelecidas para o gênero em que nasceu. Já o termo transexual descreve quem tomou hormônios e/ou se submeteu a cirurgia para aproximar o próprio corpo das características do gênero com o qual se identifica. “A questão central desse grupo não é a orientação sexual e sim a forma como eles se enxergam. Há casos de pessoas que optam pelo tratamento hormonal e redesignação sexual, mas continuam atraídas pelo sexo oposto ao de nascimento”, conta a psicóloga do Ambulatório Trans de Santos, Maria Cristina Arruda Soares (confira reportagem completa sobre o serviço na matéria de amanhã).

Falar sobre identidade de gênero é caminhar por um universo ainda aberto e passível das mais diversas interpretações. A ciência médica ainda não conseguiu identificar as causas da disforia de gênero – termo que atualmente designa esse grupo. Alexandre Saadeh, psiquiatra referência no atendimento a pessoas trans, acredita que os casos de transtorno de gênero têm base biológica, surgida na gestação quando o cérebro e a genitália ainda estão em desenvolvimento. A teoria pode ser respaldada em casos de gêmeos onde ambos não se identificam com o sexo de nascença.  

Para além dos rótulos, ser trans no Brasil é sinônimo também de perigo. O país é o que mais mata travestis e transexuais no mundo. Em 2016, foram 127, um a cada 3 dias. A expectativa de vida deles é de 35 anos, menos da metade da média nacional, que é de 75 anos.

No limite dessa linha está Thays Villar Santos Bras. Aos 35 anos a atriz profissional começou o tratamento hormonal, após um longo período de dúvidas e sofrimento. “Quando criança eu já percebia que não me identificava com questões masculinas, mas ainda não sabia que não era um menino. Naquela época a informação não era difundida e como eu era de uma família conservadora mascarei minha verdadeira identidade por muitos anos”, conta.

As máscaras a acompanharam durante parte da fase adulta, quando passou a frequentar o meio homossexual. “Eu me sentia tão sufocada que extravasava meu lado feminino sem me expor. E nesse processo fui me identificando. Percebi que como mulher eu não precisava de filtros. Eu era eu mesma”.

Tentar se enquadrar aos padrões estabelecidos pela sociedade também foi o motivo que levou Bento a demorar alguns anos para iniciar o tratamento hormonal. Mesmo tendo trabalhado como modelo na adolescência,  nunca se identificou com o sexo biológico. “Eu sempre fui um menino. No entanto, durante a minha vida fui me adequando à imagem que esperavam de mim e ao fim desse processo comecei a me libertar de cada uma dessas amarras”, conta.

Bento hoje é um homem de 27 anos esguio, tatuado e com a voz grave. No entanto, é sereno ao falar sobre seu processo de transição. “Não foi doloroso. Cheguei a passar por uma crise pesada, onde sumi com os espelhos de casa. Mas um dia acordei e percebi que a vida era o que eu iria fazer dela. Não tive mais problemas durante a minha transição, pois a partir do momento em que eu me aceitei a aceitação externa também veio”, conta.

 

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