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O que leva cada vez mais empresas a apoiarem a Parada do Orgulho LGBT de Londres

13/07/2017:

 

Organização do evento diz que número de apoiadores cresce junto com o público 

 

Organização do evento diz que número de apoiadores cresce junto com o público 

 

Há 50 anos, a homossexualidade ainda era considerada um crime na Inglaterra e no País de Gales. Meio século depois, as ruas da capital do Reino Unido, Londres, são o palco de uma grande festa do orgulho LGBT.

A celebração na cidade tem seu ápice na marcha deste sábado. Neste ano, se comemora especialmente a descriminalização do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, em 1967, com a promulgação da Lei de Crimes Sexuais.

Atualmente, não são mais apenas os membros da comunidade LGBT que participam da festa. Mais negócios do que nunca apóiam publicamente a luta pela igualdade. De empresas aéreas a operadoras, 50 empresas e marcas são parceiras oficiais do evento, enquanto outras 60 aparecem como suas apoiadoras.

Mas por que esses negócios estão se unindo a essa causa? E isso não pode tornar a festa comercial demais?

 

Polly Shute, diretora de desenvolvimento e parcerias da Pride in London, a organização por trás do evento na capital britânica, diz que, com o aumento do público do desfile - que neste ano deve ser recorde e passar de 26,5 mil pessoas -, o número de empresas que contribuem para ele cresce na mesma medida.

"É uma boa mensagem a ser passada interna e externamente. Algumas não têm produtos para vender, mas querem promover a igualdade no local de trabalho. Claro, isso também mostra aos clientes que o negócio apoia a causa, mas uma série dessas companhias já estão envolvidas com organizações de caridade que promovem inclusão, então, é um passo natural", diz Polly.

 

"Isso é parte de um movimento crescente das pessoas poderem ser quem são no trabalho. Muitos membros da comunidade LGBT galgaram posições nas empresas, mas passaram por períodos em que não podiam se assumir, então, agora lutam por seus funcionários."

O banco Barclays é o maior patrocinador do evento pelo quarto ano consecutivo. Michael Roemer, diretor de compliance e líder LGBT do banco, diz ser algo importante para gerar uma conexão com funcionários e clientes. "Com esse apoio, dizemos 'esses somos nós', e queremos encorajar todo mundo a fazer o mesmo, sem medo."

Orgulho

Outro patrocinador, a rede de supermercados Tesco, preparou 13 lojas no caminho do desfile com uma decoração especial. "Cerca de 300 de nossos colegas devem participar da parada", diz John Dickinson, que comanda a rede de funcionários LGBT da empresa, a Out at Tesco, com mais de 2,5 mil membros.

Também ganharm as cores do arco-íris estações de metrô, ônibus e bicicletas. "Amor é amor", dizia a logo do metrô na região de Oxford Circus, uma das mais movimentadas de Londres.

"Londres é uma das cidades mais diversas do mundo, e temos muito orgulho de ajudar a enviar a mensagem de que seja qual for sua orientação sexual, você é bem-vindo", afirma Ben Lyon, diretor da OUTbound, que representa os funcionários LGBT da Transport for London (TfL), empresa de transporte público de Londres.

 

Direito de imagem Getty Images Image caption 'Amor é amor', diz a logo de estação do metrô de Londres

Mas e quanto à comunidade LGBT? O que ela acha de todo esse apoio das empresas?

Jade Knight, de 44 anos, tem participado de celebrações de orgulho LGBT no Reino Unido nos últimos cinco anos. Ela defende essa aproximação com o mundo comercial. "Queremos chegar ao ponto em que identidades LGBT não sejam mais uma subcultura, mas sim algo tão aceitável socialmente quando ser heterossexual e cisgênero [termo referente a quem não é transgênero]", diz ela.

"As primeiras paradas do orguilho LGBT eram bagunça. Depois, viraram protesto político. Aí tornaram-se uma celebração da subcultura gay masculina. Estamos evoluindo. Não é suficiente ser algo apenas para pessoas LGBT. Mas [a participação de empresas no evento] é apenas uma promessa. [As empresas] precisam ajudar seus funcionários no outros dias do ano, ou isso não significará nada."

 

'Bom e ruim'

Scott Williams, de 40 anos, participa da parada do orgulho LGBT de Londres desde 1997. Ele está preocupado com seu rumo, cada vez mais próximo de empresas. "É algo bom e ruim. Permite que a comemoração aconteça, porque as empresas contribuem para pagar o custo da marcha e do evento. É bom ver as companhias apoiando seus funcionários LGBT", afirma ele.

"Mas, nas últimas duas em que estive, em vez de encontrar o espírito original da parada - um protesto por direitos iguais e visibilidade - parecia um imenso anúncio publicitário voltado para a comunidade LGBT."

Tilly Williams, frequentadora do evento há oito anos, acredita que é necessário um equilíbrio. "Acho que muitas marcas usam para fazer publicdade, sem qualquer senso de justiça social, o que não é o ideal", diz a jovem de 26 anos.

"Mas qualquer coisa que aumente a aceitação de questões LGBT pela sociedade é algo inerentemente bom. Gostaria de ter garantias de que essas empresas apoiam os direitos gays além da parada, de que agem duramente contra a discriminação internamente e se opõem visivelmente à políticas antigays."

Polly Shutte, da Pride in London, diz compreender essas preocupações, mas ressalta que a marcha é um dos poucos eventos grátis da festa do orgulho LGBT em Londres. "Queremos continuar assim, o mais inclusivos possível, mas alguém precisa pagar a conta. Essas empresas representam muitas pessoas - e é importante que apoiem essas comunidades no trabalho", afirma.

 

"E, apesar dos patrocinadores talvez terem mais visibilidade, 60% dos participantes da parada são de organizações de caridade e grupos comunitários. Ao trazer as empresas, mantemos o evento grátis e permitimos que esses grupos possam fazer campanha e festejar."

Natasha Scott, que faz parte de uma associação de médicos e dentistas LGBT, concorda. "O evento é, para mim, sobre aceitação e inclusão - um dia no ano em que você não precisa se preocupar em ser quem é", afirma.

"Infelizmente, para organizar algo tão grande em Londres nos dias de hoje custa dinheiro, e o patrocínio de empresas é necessário. É o ideal? Não. Mas se permite que a parada continue a conscientizar e a celebrar, então, acho que vale a pena."

 

 

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40545927

 

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