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Gay, ex-cônsul de Israel no Brasil conta como usou “barriga de aluguel” para ter

20/03/2017:


Roy Rosenblatt-Nir realizou o sonho de ser pai de um casal de crianças ao contratar um serviço de gravidez por substituição na Índia. Agora, ele traz a empresa ao Brasil para ajudar outros casais

 

Roy Rosenblatt-Nir, o parceiro Ronen Rosenblatt-Nir e os filhos (Foto: Divulgação)

 

Quando estava na casa dos 20 anos, o israelense Roy Rosenblatt-Nir sonhava com a possibilidade ser um dia vir a ser pai. Homossexual, ele considerou a possibilidade de adotar uma criança anos depois ao conhecer seu parceiro, o especialista em medicina chinesa Ronen Rosenblatt-Nir. “Mas, em Israel, felizmente, não há um grande número de crianças abandonadas que estejam precisando de um lar”, contou o ex-cônsul do país no Brasil à Marie Claire.

O casal, então, foi à Índia em busca de um serviço de surrogacy (barriga de aluguel) para aumentar a família. Lá, encontraram uma empresa que os ajudaria a realizar um grande sonho. Nesta entrevista, Roy conta como foi a gravidez de seu casal de filhos, dá detalhes de como foram os primeiros dias após o nascimento das crianças após o parto e diz como seus herdeiros lidam com sua origem.

Marie Claire - Você sempre teve o sonho de ser pai?
Roy Rosenblatt-Nir - Sim! Nem consigo lembrar exatamente desde quando, mas sei que quando eu estava na casa dos 20 anos eu já sonhava em ser pai.  Quando eu assumi a minha condição sexual, a única certeza que eu tinha era de que de um jeito ou de outro eu teria filhos.

MC - Como decidiu pelo processo de surrogacy?
RRN - Como um casal gay, a princípio a nossa opção seria a adoção. Mas, em Israel, felizmente, não há um grande número de crianças abandonadas que estejam precisando de um lar, por isso a fila de espera é longa e pode levar anos. O processo de surrogacy surgiu para nós por meio de casais de amigos que passaram pelo mesmo processo. Quando eu e meu marido soubemos dessa opção, decidimos que essa era a ideal para nós, já que sempre sonhamos em ter filhos com as nossas características genéticas.

MC - Chegaram a ir até a Índia?
RRN - Sim, claro. Tivemos que ir até a Índia duas vezes, porque temos dois filhos e eles têm diferença de 4 meses idade. Quando meu primeiro filho nasceu, nós fomos à Índia e ficamos lá por volta de um mês até acertarmos toda a documentação do bebê e depois voltamos ao Brasil, já que nessa época morávamos no país. Quatro meses depois, fizemos uma nova viagem do Brasil à Índia para buscar a nossa filha, e novamente ficamos o período de um mês concluindo os trâmites da documentação dela.

MC - Comentou sobre a decisão com a família e os amigos? Como eles reagiram?
RRN - Sim, a família e os amigos ficaram muito felizes desde o início e todos estavam muito entusiasmados. A família e os amigos nos apoiaram de uma forma extraordinária, estavam encantados. A minha família ficou desde o início muito emocionada, já que nossos filhos seriam os seus primeiros netos. Nunca tivemos nenhuma reação negativa, muito pelo contrário, só recebíamos carinho e alegria.

MC - Quanto custou o processo?
RRN - Felizmente, nós conseguimos fazer o processo na Índia, quando lá o processo ainda era permitido por lei. Na época, nós investimos cerca de USD 80.000 com cada processo. Hoje, infelizmente, casais gays só conseguem realizar o processo nos Estados Unidos, e lá o custo é por volta de USD 110.000. Para casais heterossexuais, o cenário está melhor, pois é possível realizar o processo na Ucrânia, por exemplo, com valores a partir de USD 50.000.

MC - Conheceu a mulher que gerou seus filhos?
RRN - Sim, nós conhecemos as duas surrogates. Nós acompanhamos todo o parto, e depois nós nos encontramos e para agradecer. Levamos um presente para ela, e tivemos uma conversa emocionante, com a ajuda de um tradutor. Para mim, ela é um anjo. Temos muito carinho por ela e somos eternamente gratos pelo que ela fez.

MC - Que tipo de relação estabeleceu com ela?
RRN - Infelizmente, na Índia, não podíamos estabelecer um relacionamento muito próximo por conta das barreiras da língua e cultura. Hoje, os casais que fazem o processo nos Estados Unidos têm a oportunidade de construir uma relação mais próxima com as surrogates. Para nós, na Índia, só tivemos a chance de agradecer no fim do processo.

MC - Como se sentiu durante a gravidez? Acompanhou a gravidez?
RRN - Claro, acompanhamos todas as etapas da gravidez. Acho que sentimos o que todo casal que está passando por uma gravidez sente. Uma mistura de medo, nervosismo, preocupação e momentos de euforia também. Claro que com a gravidez acontecendo a quilômetros de distância a nossa ansiedade ficava um pouco maior, mas estávamos sempre em contato com a Tammuz e, quando algum exame nos parecia fora do normal, nós consultávamos os nossos médicos particulares para nos certificarmos de que estava tudo bem. Mas tudo deu muito certo no final.

MC - Como foi o parto? Como ficou sabendo que as crianças haviam nascido?
RRN - Nós tínhamos a data da previsão da cesárea, e chegamos à Índia três dias antes da data. Na noite em que chegamos, recebemos uma ligação de uma das pessoas da Tammuz avisando que a surrogate havia entrado em trabalho do parto e já estava a caminho do hospital. Então, nós saímos correndo e chegamos ao hospital antes do parto. Era o nosso primeiro filho, Saar.

MC - Como foi o encontro com os bebês?
RRN - Quando o Saar nasceu, as enfermeiras o trouxeram ainda todo sujinho do parto enrolado em um pequeno cobertor. Foi um dos momentos mais marcantes das nossas vidas. Depois, ele ficou três dias no hospital e nós ficamos todos esses dias com ele, aprendemos a trocar fraldas, a dar banho e a alimentá-lo. Sobre esses três dias, posso dizer que foram os melhores dias da minha vida. Até hoje, quando me lembro, fico emocionado. No nascimento da minha filha foi a mesma coisa, nós já sabíamos trocar fraldas, dar banho e alimentá-la, mas a emoção de ver a princesinha da família chegando foi indescritível.

MC - Como foram os primeiros dias em casa?
RRN - Quando você faz um processo de surrogacy, os primeiros dias não são em casa. Os três primeiros dias são no hospital, aprendendo tudo. Depois, nós alugamos um pequeno apartamento e ficamos um mês na Índia até todo o processo burocrático ficasse pronto. Este mês que ficamos lá foi muito especial, e até gostaria de voltar no tempo para viver de novo, porque ficamos um mês longe de tudo e com inteira atenção ao nosso filho. Minha mãe e irmã chegaram a ir até a Índia para nos visitar e foram momentos mágicos de muito aconchego em família. Aliás, vivemos isso duas vezes, primeiro com a chegada do Saar e depois da Rotem.  É um mês de descobertas porque é tudo novo. Os bebês são tão pequenos e você nunca sabe se está fazendo a coisa certa. Mas com o tempo vamos aprendendo que está tudo bem, que o bebê está feliz, e aí vai dando tudo certo. Eu e o meu marido dedicamos tempo integral a eles no início, foi uma experiência linda.

MC - Seus filhos sabem, hoje, como foram concebidos? Conversa sobre isso com eles? Se sim, como?
RRN - Eles sabiam desde de muito pequeninos. Nós criamos um livrinho contando a história deles, sobre a doadora, a surrogate, e eles sempre escutaram a história e viram fotos. Não há segredos. Nós temos muito orgulho de tudo que fizemos para construir nossa família, e desde pequenos eles são ensinados sobre como vieram ao mundo, e queremos que eles se sintam orgulhosos disso também. Eles já sabem contar com detalhes esse fato da vida deles. Agora estão com cinco aninhos e nós sabemos que mais para frente pode ser que dúvidas surjam, ou curiosidades, e nós estaremos sempre abertos para conversar e esclarecer.  A nossa família foi construída com muito amor, e meus filhos são criados em um ambiente familiar amoroso. Somos muito unidos, eles estão rodeados de pessoas que os amam e temos certeza de que isso é tudo de que eles precisam para serem felizes.

 

 

 

http://revistamarieclaire.globo.com/Noticias/noticia/2017/03/gay-ex-consul-de-israel-no-brasil-conta-como-usou-barriga-de-aluguel-para-ter-filhos.html

 

 

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Título: Gay, ex-cônsul de Israel no Brasil conta como usou “barriga de aluguel” para ter
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