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"Ser gay aqui não é uma opção", diz jovem libanês

07/12/2015:

 

Raphael Mendonça

 

O Líbano não está no grupo radical que condena os gays à morte, mas em outro, que considera a homossexualidade ilegal. Pela lei, a condenação é de um ano de prisão pelo “ato sexual não natural”.

 

O jovem Y.M.H*, 27 anos, é gay e vive em Trípoli, a segunda maior cidade do país. A família do rapaz é muçulmana sunita e não sabe a condição sexual dele. “Ser gay, lésbica, bissexual ou transexual aqui não é uma opção”, conta.

 

A estudante libanesa E.N*, 25 anos, sabe bem pelo que Y.M.H. passa. Ela mora no Brasil desde os dois meses de vida, mas seus pais seguem à risca os princípios do país onde foram criados, o Líbano. E.N. é lésbica, mas a família não sabe e, para ela, contar ainda não é uma opção. “Como eu sei que eles vão me rejeitar, preciso estar mais pronta pra isso”, desabafa.

 

E.N. escreveu uma carta aos pais. Escrita em árabe, está guardada em uma gaveta secreta da casa a espera de ser encontrada pela família.  Nela, E.N. assume sua homossexualidade e diz sentir muito por decepcionar os pais e ser a “filha errada” que eles não queriam ter. “Sinto que me prefiram morta a ser do jeito que sou” , termina.

 

Para escapar das perseguições e das condenações, muitos gays que vivem em regiões como o Líbano, encontram a saída na fuga para o Ocidente ou para outros países mais receptivos à comunidade LGBT. Mas para Y.H.M., fugir não é uma solução. “A maioria de nós se envergonha desta condição. E carregaremos isto para sempre”, conta.

 

Na periferia de Beirute, capital e maior cidade do Líbano, a ONG Proud Lebanon acolhe refugiados homossexuais desde 2013. Hoje, o cofundador da ONG, Bertho Makso, 42 anos, abriga mais de 350 gays, entre homens e mulheres. A ONG oferece atendimento médico e psicológico, cursos de formação e comida. Para Makso, a intolerância só terá fim com a evolução social. “É uma longa jornada e ela deve ser iniciada na mudança das leis”, afirma.

 

A libanesa Lina Hage, 20 anos, é muçulmana e vive no Brasil. Ela reconhece que a homossexualidade ainda não é bem vista na colônia árabe, mas mesmo assim defende a comunidade gay.  “É um direito de todo ser humano escolher sua opção sexual, sem ter seus direitos privados”, reflete.

Mas para Y.M.H, os ocidentais não tem dimensão do quão diferente é o mundo onde ele vive. “O discurso de vocês [ocidentais], aqui não se aplica. Nós acreditamos no inferno”, disse com a certeza de sua punição, também, pelas leis divinas.

 

*Com medo da perseguição e por não serem assumidos socialmente, eles preferem não ter o nome divulgado. As siglas são apenas letras representativas.

 

Para Alcorão, gays são "insensatos"

Muçulmanos, sejam testemunhas da aplicação da lei!”, gritava o carrasco, enquanto dois homens de olhos vendados e com as mãos amarradas eram atirados ao vazio do alto de um edifício, no Iraque. O motivo: serem supostos homossexuais.

 

As imagens desta execução, gravadas e propagadas pelo Estado Islâmico, deram a volta ao mundo em janeiro de 2015 pela internet. Uma cena terrível. Mas é assim em outros Estados do Oriente Médio e da África: gays são condenados à morte, simplesmente por serem gays.

 

Toda esta raiva e intolerância são explicadas pela religião. No Islã ou islão, por exemplo, a segunda maior religião do mundo em número de seguidores, a sexualidade tem uma missão sagrada: multiplicar a existência. O homem e a mulher têm papeis sagrados e são a ordem do mundo. O que não a segue – leia-se homossexual – é fonte do mal.

 

Duas passagens do livro sagrado são usadas para condenar os gays. Na sura (capítulo) 27, versículo 55, o alcorão faz referência a homens que se aproximam de outros homens e os chama de “um povo de insensatos”. Outro trecho, a sura 11, versículo 78, o profeta Lot pede a seu povo, “que desde antanho havia cometido obscenidades” tema a Deus.

 

Por isso, a homossexualidade e o islamismo são, aparentemente, realidades paralelas e, ainda, improváveis de dividirem um mesmo espaço de forma harmônica e humana. Pensa-se: gay e muçulmano? Como assim? 

 

E, realmente, enquanto discursos de ódio continuarem sendo professados por líderes religiosos e políticos, como o Estado Islâmico, gays serão condenados e morrerão pelo Oriente Médio e pelo mundo. E ai, quem são mesmo os insensatos?

 

Os países que mais odeiam gays 

Maldivas – Para homens, exílio ou chicotadas; prisão domiciliar para mulheres.

Tanzânia – detenção de 30 anos à prisão perpétua para homens; multa ou detenção de cinco anos para mulheres.

Qatar – até sete anos de detenção.

Nigéria – pena de morte para homens e chibatadas e/ou detenção para mulheres em 12 estados. No resto do país, até 14 anos de prisão.

Sudão – chibatadas e prisão; caso reincida, prisão perpétua ou execução.

Serra Leoa – prisão perpétua.

Emirados Árabes Unidos – prisão, multas e/ou pena de morte.

Somália – morte por apedrejamento nas regiões ao Sul e até três anos de prisão no resto do país.

Arábia Saudita – exílio, chibatadas ou morte por apedrejamento.

Iêmen – até sete anos de prisão, 100 chibatadas e/ou morte por apedrejamento.

Uganda – prisão perpétua, tortura e execução.

 

 

http://www.justificando.com/2015/12/02/ser-gay-aqui-nao-e-uma-opcao-diz-jovem-libanes-/

 

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