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Cerca de 100 homossexuais participaram de protesto em Cuiabá

13/02/2009:

 

Redação 24HorasNews

     Cerca de 100 homossexuais participaram de um grande beijo coletivo na noite desta quinta-feira, em uma casa de shows de Cuiabá. O "1º Beijaço" foi o ato escolhido pelos manifestantes para protestarem contra os proprietários do local que repreenderam publicamente dois casais de homossexuais. 

      
     Além dos beijos, os participantes com apitos, faixas, e panfletos explicativos sobre o ocorrido, reivindicaram o fim da homofobia. Após a finalização com o beijo coletivo realizado às 23h30, todos os manifestantes se retiraram.

      
     Uma das organizadoras do evento, Annelyse Cândido, explica que o ato surgiu da necessidade de homossexuais da capital e Ongs de defesa aos Direitos Humanos em denunciar os incidentes de discriminação. Foram realizadas reuniões para decidir como seria realizado o protestado.
     
     Annelyse afirma que o intuito era mostrar que os estabelecimentos comerciais precisam adotar uma postura mais igualitária perante seus clientes: "Grande parte do público do estabelecimento é homossexual. Nós queremos que eles compreendam que não somos apenas consumidores, mas que temos o direito sim de nos expressar homoafetivamente. Podemos sim demonstrar publicamente carinho como qualquer outro cliente." No entanto, a organizadora ressalta que este não é um caso isolado em Cuiabá. "O que realizamos esta noite foi um ato representativo, porque isso acontece em outros estabelecimentos. Porém, se homossexuais continuarem sofrendo com a discriminação, eles vão perder clientes", ressalta Annelyse.
     
     Pega de surpresa pela manifestação, a consultora de vendas Carla Campos, de 28 anos, afirma que estava presente na data em que o casal de homens foi expulso do estabelecimento e afirma que o ocorrido não se tratou de um ato de homofobia. "Era uma sexta-feira, dia em que a maioria do público é de pessoas mais velhas, e os dois estavam se portando de maneira obscena. Mesmo se fosse um casal heterossexual, todos se sentiriam incomodados", declara. Sobre o "Beijaço", ela acredita que foi um ato que não agrediu nenhum dos presentes: "Tudo foi pacífico, muito tranqüilo", finaliza a consultora.
     
     Esclarecimento
     
     Os dois incidentes que resultaram no protesto ocorreram no fim do ano passado. No dia 20 de dezembro, um casal de mulheres foi abordado pela proprietária após as duas se beijarem abertamente no estabelecimento. Menos de uma semana depois do ocorrido, um casal de homens que dançavam abraçados foi novamente abordado pelos proprietários – que desta vez foram mais exaltados e expulsaram os jovens do local.
     
     Um dos clientes expulsos, Maurício Ferreira, de 23 anos, afirma que não houve nenhuma manifestação homoafetiva em público, e que o namorado e ele apenas dançavam quando o proprietário começou a agredi-los verbalmente. "Tinham senhoras que estavam atrás de nós e vieram nos perguntar o que estava acontecendo, porque de fato não fizemos nada. Nem nos beijando, estávamos", afirma Maurício. Ele conta ainda que após o incidente, foi registrado um boletim de ocorrência e que está dando seguimento a um processo judicial. "E nós temos testemunhas que não são apenas amigos, mas pessoas que estavam presentes no local e se revoltaram com a forma como fomos tratados", completa.
     
     
     
     Homofobia é Crime
     
     A coordenadora do Centro de Referência Gay, Lésbica, Bissexual, Travesti, Transgênero (GLBT) de Combate Homofobia, Cláudia Cristina Carvalho, esteve presente durante o "Beijaço" e ressalta que homossexuais vítimas de discriminação também possuem outros mecanismos de combate à homofobia em Mato Grosso. Ela explica que o Centro realiza um trabalho de orientação jurídica e psicológica, além de assistência social à população GLBT.
     

 

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