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Richarlyson nega ser gay e reclama de preconceito

13/08/2007: Esportes - Rio
Filho de jogador de futebol, o meia de campo são-paulino Richarlyson decidiu falar neste domingo (12) ao Fantástico sobre a polêmica envolvendo o diretor administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Júnior, e a suposta denúncia de que o jogador seria homossexual.

Filho de jogador de futebol, titular do São Paulo, seis gols no Campeonato Brasileiro, Richarlyson, de 24 anos, tem um adversário perigoso fora dos gramados: o preconceito. Ele precisou contratar dois advogados para proteger sua imagem.
Segundo um de seus advogados, o jogador começou a ficar visado quando fez o primeiro gol contra o Palmeiras e comemorou fazendo uma dança funk que despertou comentários.
Há algumas semanas, um boato se espalhou por São Paulo: o jogador daria uma entrevista em que, supostamente, admitiria ser gay. A entrevista nunca ocorreu, mas a história repercutiu. Em uma mesa redonda de futebol num programa de televisão, o diretor do Palmeiras, José Cyrillo Júnior, disse que o jogador que daria a suposta entrevista não era do seu time, e nomeou Richarlyson, falando que ele era do São Paulo.
“Ele usou de forma imprudente, leviana a palavra sobre a minha pessoa, minha imagem”, afirma Richarlyson, que decidiu processar o diretor.
O juiz que analisou a queixa-crime, Manoel Maximiniano Junqueira Filho, negou o pedido de Richarlyson. Ele mandou arquivar o processo, numa sentença cheia de insinuações como: “se fosse homossexual, era melhor que abandonasse os gramados”; “futebol é jogo viril, varonil, não homossexual”; “homossexualismo é uma situação incomum do mundo moderno que precisa ser rebatida”; e “não poderia sonhar vivenciar um homossexual jogando futebol”.
Questionado sobre se a decisão o teria revoltado, o jogador disse ter se sentido desrespeitado. “É difícil entrar nesta questão, até porque não sou formado em Direito. Não tenho como avaliar a questão, mas não foi só um desrespeito a mim, foi também ao Brasil”, disse.
Segundo o jogador, a parte da sentença que mais chamou sua atenção foi a parte em que o juiz fala sobre os negros. “A sentença diz que se os clubes aceitarem atletas homossexuais, logo existirá um sistema de cotas para garantir a presença de gays nas equipes. E relembra o início do futebol profissional, quando os clubes relutavam em aceitar atletas negros”.
E racismo é algo que o jogador diz ser alvo desde criança, quando era o único negro em uma escola particular. “Já sofri um certo racismo quando era criança. Quando meu pai jogava em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, eu estudava numa escola de freiras e eu era o único negro na escola. Tudo que acontecia na escola caia sobre mim”.
Um dos advogados do jogador disse ter ficado indignado que um magistrado pudesse sentenciar dessa forma, com alto grau de intolerância, preconceito e homofobia.

Pedido de licença

Em quase 20 anos de carreira, o Juiz Manoel Maximiniano foi alvo de pelo menos dez representações no Tribunal de Justiça de São Paulo. Essas reclamações não foram além de uma advertência. Mas desta vez a situação do juiz se complicou. A corregedoria abriu uma sindicância e ele pediu licença do cargo. Antes de sair, decidiu anular a própria sentença que tinha dado no caso Richarlyson. O processo deve agora ser julgado no Juizado Especial de Pequenas Causas.
Mas a história não termina aí. Os advogados do jogador fizeram uma queixa no Conselho Nacional de Justiça, que fiscaliza os magistrados do país. Caso fique provado que o juiz teve uma conduta reprovável ou criminosa, ele poderá até perder o cargo.
A reportagem do Fantástico procurou o juiz Manoel Maximiniano em seu gabinete na sexta-feira (10). Ele não foi encontrado. A reportagem então conversou com o advogado do magistrado, Francisco de Assis Pereira, que afirmou que o seu cliente não daria entrevista por impedimento legal, e que o juiz considera o caso encerrado.

Homossexualismo x futebol

Questionado sobre se encabeçaria uma campanha contra o preconceito no Brasil, o jogador falou achar difícil fazer isso e que prefere pensar no trabalho.
Richarlyson afirmou não ser homossexual e disse que, se fosse, assumiria, pois tem uma família extraordinária “e acho que isso não seria nenhum obstáculo para eles, e eu seguiria minha vida normalmente”. Apesar disso, ele afirmou que não acha incompatível um homossexual no futebol e que o importante é “fazer o trabalho dentro do campo bem feito”.
Ele falou ainda eu não tem namorada e que casamento seria algo para “mais tarde”, já que pretende antes dar continuidade à carreira e terminar a faculdade.
O jogador encerrou a entrevista com um pedido: “Que possa haver um ponto final nessa intolerância, seja sexual, racial ou religiosa. Que as pessoas possam viver da maneira que se sintam bem e que as outras possam, assim, ter consciência de que cada um tem direito a viver sua vida da maneira que achar melhor, da maneira que é feliz”.


g1.globo

 

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