Mulher do vice-presidente norte-americano vai ensinar numa escola que proibe alunos gay e nega a evoluação da espécie

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Ana França

Na escola, docentes e encarregados de educação têm de concordar com o facto de que “a vontade da mulher tem de se subjugar à vontade do marido”

A mulher do vice-presidente dos Estados Unidos vai dar aulas numa escola que proíbe alunos homossexuais e transgénero e que pede às mulheres que aceitem o “facto” de que a sua vontade está submetida à dos homens. Karen Pence, mulher de Mike Pence e “Segunda Dama” na nomenclatura política norte-americana, aceitou um emprego a tempo parcial como professora de Artes na Immanuel Christian School, no estado da Virgínia, uma instituição privada com regulamentos conservadores.

O “New York Times” teve acesso ao contrato que a escola oferece a quem se queira juntar ao seu corpo docente e a lista de condições é vasta e específica. Quem o assinar tem que rubricar individualmente cada um dos pressupostos. A oitava alínea diz: “Entendo que o termo ‘casamento’ só tem um significado; a união de um homem e de uma mulher”. Mais à frente pode ler-se que “atividades sexuais entre heterossexuais fora do casamento (sexo antes do casamento, coabitação ou sexo fora do casamento), atividades homossexuais ou lésbicas, poligamia, identidade transsexual ou qualquer outra violação dos papéis tradicionais de homem e mulher estão proibidos”. Os professores, lê-se ainda na ficha de inscrição para o emprego, têm também que concordar com o seguinte: “a mulher tem de se submeter às ordens do seu marido”. Karen Pence teve que rubricar as suas iniciais à frente de cada uma destas frases.

Também os pais têm que assinar um documento antes de poderem inscrever os seus filhos. As exigências são equivalentes às que recaem sobre os professores com um foco específico na educação em casa. Além disso, o documento pede aos encarregados de educação que “não propaguem” doutrinas que sejam “contra o ensinamento de que Deus criou o céu e a terra e toda a vida nela por intervenção direta e por isso ela não resulta de uma evolução científica desorganizada”.

Karen Pence já tinha trabalhado nesta escola ao longo de mais de uma década (2001 – 2013) e uma das suas assistentes de comunicação disse ao “New York Times” que é “absurdo” Pence estar a ser perseguida “por ensinar arte a crianças segundo as crenças cristãs de uma escola onde ensinou durante 12 anos”. Apesar de já ter sido professora nesta escola enquanto Mike Pence estava no Congresso, alguns críticos dizem que não é a mesma coisa, agora que Pence é um dos homens a quem o presidente mais recorre para formular leis. A própria Karen Pence anunciou apenas que está “feliz” por voltar a fazer aquilo de que mais gosta. Mas, apesar destas declarações, alguns analistas não deixaram passar a oportunidade de relevar uma certa hipocrisia do casal Pence.

Na CNN, Clay Cane, apresentador de rádio e autor de livros sobre a discriminação e a violência sofridas pelas comunidades LGBTQ, escreve que alguém que trabalha para Donald Trump não pode ter tantos pruridos morais. “Apesar de todas as suas crenças, bem públicas, Pence e a sua mulher mostram uma devoção acrítica a um homem que se casou três vezes, divorciou-se duas, teve cinco filhos de três mulheres e está acusado de pagar a estrelas pornográficas para ficarem caladas sobre os alegados atos sexuais que mantiveram com ele”. Lembrando ainda as sessões fotográficas “picantes” de Melania Trump quando era modelo, Cane escreve que, “se os Pence querem uma petição pela pureza moral, então deviam primeiro ir ter com os Trump para recolher assinaturas”.

Tanto Mike Pence como Karen Pence são publicamente contra a inclusão de membros da comunidade LGBTQ na sociedade e o vice-presidente já defendeu o fim de todo o financiamento a “instituições que celebram e encorajem tipos de comportamento que apenas servem para espalhar o vírus do VIH” e a sua reutilização no sentido de “ajudar as pessoas a modificarem o seu comportamento sexual”. Karen Pence, por outro lado, escreveu um artigo de opinião num jornal do Indiana no qual se revela contra as peças jornalísticas que “abraçam a inclusão de gays e lésbicas”. Foi em 1991. É possível que desde aí tenha mudado a sua posição.

 

 

MSN

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