Itaú Cultural seleciona projeto de documentário do Amazonas sobre indígenas travestis

0

Postado por

O Amazonas teve dois projetos selecionados na edição 2017-2018 do Itaú Cultural. Na área da dança, “Hip Hop – A Parada Final-Integração”, de Willacym Miguel de Souza Maia foi o escolhido, enquanto no audiovisual, o documentário em longa-metragem “Niima” terá o apoio para todo o trabalho de pesquisa e desenvolvimento do roteiro. Autora da proposta pela produtora Tamba-Tajá Criações, Flávia Abtibol falou sobre o projeto com exclusividade para o Cine Set.

“Niima” pretende tratar de indígenas travestis moradores da aldeia de Umariaçu, na cidade de Tabatinga, no interior do Amazonas e localizada na região da tríplice fronteira entre Brasil-Colômbia-Peru. Com a parceria do Itaú Cultural, Flávia Abtibol poderá fazer todo o trabalho de pesquisa, indo até a região fazer entrevistas prévias com os personagem do documentário, além de finalizar o roteiro do filme.

“A viagem vai me dar uma possibilidade de imersão na realidade deles, o que me fará problematizar e entender melhor o assunto. Com isso, longa terá a profundidade necessária a ponto de estabelecer um diálogo, dando voz a essas travestis sem julgamento de cultura ou equacionar valores. A ideia é construir um filme coletivo, polifônico. O Itaú, como parceiro, compreendeu o potencial da proposta e vai nos dar essa possibilidade de vivência”, disse.

A história chegou até Flávia a partir dos relatos trazidos pela amiga, a cantora Djuena Tikuna. “Ela me mostrou estes rapazes que tinham se assumido travestis, se vestiam de mulher com uma aparência mais feminina e nas festividades se apresentavam. Fiquei interessada em saber como isso repercutia junto à comunidade, às famílias deles devido à forte influência da Igreja e do Exército em uma região potencialmente tensa”, disse. Sem poder ir até Tabatinga, a realizadora conseguiu falar com Juarez, uma das travestis, quando veio a Manaus, iniciando, logo em seguida, a escrita do roteiro e a pensar nos aspectos visuais do futuro filme.

Após a viagem e, posterior, todo o desenvolvimento e conclusão do roteiro, Flávia Abtibol espera conseguir um projeto forte suficiente para levar a potenciais investidores e nos editais do Ministério da Cultura e Fundo Setorial do Audiovisual visando a produção.


Janela para o brasileiro se reconhecer

Pesquisadora mestre de audiovisual e com os curtas-metragens “Strip Solidão” e “Dom Kimura”, Flávia Abtibol encara “Niima” como um grande momento na carreira não apenas por ser a estreia em longas-metragens. “Sinto-me desafiada como realizadora mulher, descendente de negros e indígenas. Sou representante desta mistura brasileira e que está muito presente na Amazônia. Para mim, é muito importante levar estas temáticas que me tocam e mexem também com a população amazônica de modo geral. Quero trazer nos meus trabalhos as temáticas relacionadas a pessoas daqui”, afirma.

Segundo Flávia, produções nacionais focadas nas temáticas indígenas como “Ex-Pajé”, “Martírio” e “Antes o Tempo Não Acabava” são fundamentais para o “reconhecimento do brasileiro de um Brasil que ainda não foi visto”. “Há muitos anos, o audiovisual do Norte luta por mais oportunidades para alcançar uma representatividade audiovisual não apenas na feitura dos filmes, mas, também, na qualidade. Isso fará com que estas obras consigam alcançar as telas não apenas da região onde são feitas, mas, também de outros locais. Podemos, agora, mostrar o homem amazônico com seus conflitos, dificuldades, incluindo, as questões de gênero, especialmente na sociedade indígena. Tomar às rédeas do audiovisual é bom para que a gente possa colocar estas temáticas em pauta”, completou.

 

 

Itaú Cultural seleciona projeto de documentário do Amazonas sobre indígenas travestis

Compartilhar.

Sobre o Autor

Comments are closed.