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Meu filho é gay. E agora?

24/04/2008:

 

Hoje em dia parece que discutir sobre a homossexualidade é algo que está em alta e que os meios de comunicação de massa querem aproveitar-se.

 

O que percebemos, porém, no dia-a-dia difere do mundo mágico criado pela televisão, principalmente quando o gay está dentro de minha casa! Aí aquela imagem engraçada e alegre (em inglês, gay) torna-se uma preocupação para os pais.

 

A questão está justamente na imagem que se tem e nos conceitos criados sobre a homossexualidade. E os conceitos previamente fabricados sobre algo nada mais são do que chamamos de preconceito (pré-conceito).

Os pais têm que quebrar a imagem de achar que um filho gay é um filho querendo ser mulher; de achar que têm um filho que quer usar roupas femininas; de achar que têm um pervertido dentro de casa ou tantas outras imagens errôneas.

No Zorra Total, da Rede Globo, havia um quadro no qual o pai estava falando de quão macho era seu filho aos amigos e, de repente, este filho aparecia saltitando e gritando: Papi! Ao final, o pai virava-se para a câmera e perguntava: onde foi que errei? Aqui está uma das grandes provas de como se vê a figura de um homossexual, isto é, como aquele que é um erro, um desvio, um coitado que saiu anormal, alguém desprezível, uma pessoa com a qual deve-se tomar cuidado e manter certa distância etc.

 

O carinho, respeito, confiança e orgulho são características intrínsecas aos pais. Será que os pais estão conseguindo transmitir todas estas qualidades de verdadeiros pais aos filhos gays? O amor característico aos pais é o amor incondicional. Será que os pais estão amando incondicionalmente os filhos gays ou estão pondo condições para amar?

Existe o caso absurdo de pais que levam os filhos em médicos quando descobrem a orientação do filho! Ou ainda aqueles que oferecem dinheiro ou o melhor carro do ano caso o filho mude de opinião e deixe de ser gay. Parece até piada, mas acontece aos montes.

 

Reparem que disse orientação e não opção, pois existe uma grande e substancial diferença entre estes termos. Ninguém opta por nascer gay. Às vezes, ouvimos: nossa, o fulano depois de velho resolveu virar gay. Não é que alguém resolve “virar” gay! O que acontece é que a pessoa sempre foi gay, desde criança, mas sofreu as mais diversas pressões familiares e sociais, não tendo possibilidade de perceber sua real orientação homossexual, ou seja, na primeira oportunidade que lhe apareceu, descobriu.

Pais verdadeiros não sufocam os filhos, pois querem que estes sejam felizes e que descubram o que é o amor. Quem disse que a minha forma de amar é a correta ou a melhor? Ou ainda a única forma e possibilidade de amor? Existe um livro, de um historiador, que se chama “O amor entre iguais”, o qual não tive a oportunidade de ler ainda, mas apenas apreciei a entrevista que o autor concedeu a Jô Soares, no qual ele relata a homossexualidade no decorrer da História. Muita gente não tem conhecimento de que na Grécia, por exemplo, a forma de um homem inteligente se apaixonar era apenas amando um outro homem; apaixonar-se por uma mulher era para os ignorantes, visto que a relação com mulheres era apenas para a procriação, ao passo que o amor era reservado a alguém do mesmo sexo.

O judaísmo tem o sêmen como algo sagrado, simbolizando a vida. O cristianismo tem origens judaicas e, portanto, irá colocar a fertilidade e a procriação como algo sagrado. Porém, nota-se nitidamente apenas uma mudança de costumes ou paradigmas, apenas um contexto cultural diferente, sendo que a cultura dominante foi a  ocidental cristã e por isso que a homossexualidade passou a ser vista, desde então, como anormal.

A intenção deste artigo é apenas tentar clarear um pouquinho a mente e o pensamento de pais que muitas vezes sentem-se aflitos diante do que está evidente e claro a eles. E aqui formação acadêmica de nada vale! Tem gente que acha que uma psicóloga irá aceitar o filho, ao passo que uma pessoa que não teve possibilidade de estudos não. Grave erro de quem assim pensa. Pessoas que têm curso superior, pós-graduados, mestrados ou doutorados muitas vezes condenam e julgam, sentados em seu trono da auto-suficiência e arrogância, legitimados em títulos e diplomas. No entanto, nenhum diploma confere respeito, carinho e, acima de tudo, amor.

 

Senhores pais, o que os senhores ensinaram a seus filhos? A ter vergonha? A ter vergonha de ser o que se é? Então, meus parabéns, pois os senhores estão transformando o próprio filho num monstro, num poço de desânimo e tristeza profundas, em alguém amargo e cheio de conflitos. Em nome do que “os outros vão pensar ou falar” vocês sufocaram o SER  de alguém, vocês transformaram o filho de vocês naquilo que vocês querem que ele seja e naquele bonequinho que vocês podem apresentar à sociedade... um bonequinho sem vida própria que vive diariamente sufocando os próprios sentimentos, culpando-se e entristecendo-se por não ser “aquilo que os pais querem que ele seja”.

Muitos filhos que assim foram criados tornaram-se os bonequinhos dos pais e namoraram, casaram e constituíram família. E hoje são os inúmeros homens casados e pais de famílias procurando mocinhos na Internet, nas salas de bate-papo ou nos banheiros públicos das cidades vizinhas. Mais uma vez, parabéns pais!!!

 

Por fim, quero dizer que não se corrige o que não está errado, que não se torna normal o que não é anormal. Alguém que é gay é gay essencialmente e não ocasionalmente. Existem correntes de pensamento que dizem que um gay vai contra o seu ser. Filosoficamente isto está incorreto, visto que, desde sempre, seu ser, ou seja, sua essência foi sentir-se atraído por pessoas do mesmo sexo. E esta é uma das formas ou orientações da sexualidade. Quem pode dizer o que é normal? Quem estabeleceu os padrões? O que é uma relação sexual normal? Existe alguma relação sexual anormal? Quem poderá julgar? Afinal, entre quatro paredes as pessoas revelam muitas coisas e pessoas consideradas “puras e sem mácula” descortinam-se em momentos de sexo anônimo, por exemplo. E deixou de ser normal? Quem justifica a homossexualidade como algo que vai contra a essência precisa aprofundar-se um pouco mais em Filosofia. Sugiro começar por Sócrates, visto que descobriu a essência do homem (psyché).

 

Não pretendo e nem quero convencer ninguém de nada. Este é apenas mais um artigo como todos os outros, no qual partilho e filosofo sobre assuntos divergentes. Quero aproveitar e dizer a meu pai, André, e minha mãe, Nair, que os amo muito e que sem vocês eu jamais seria o que sou hoje. Obrigado por estarem comigo e me amarem sempre. Abraço fraternal:

 

                      André Carlos Massolini – amassolini@uol.com.br

 

 

 

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Comentários
26/06/2008 19:18: Marlei - PR
Simplesmente maravilhoso, descobri ontem sobre meu filho e é o que está me sando forças pra enfrentar.
 
30/05/2009 21:32: Le - RS
Matéria fantástica! Precisamos de artigos como esse, que levem as pessoas a refletirem e a se conscientizarem do apoio incondicional que deve ser dado a todos os seres humanos, independente da orientação sexual, condição financeira, cor da pele, ...
André, parabéns pelo artigo. À Marlei, do PR, sugiro que pesquise na Internet o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais). A presidente do grupo é, simplesmente, excepcional. Vale a pena conferir.
 
27/02/2010 00:35: André Massolini - SP
Querida Marlei, não tem preço ler o que li! Como autor do texto, desejo mtas felicidades a vc e a seu filho! Viva o amor incondicional! Bjs
 
09/09/2011 00:12: Saulo Silva - PE
Pois é. Seguindo essa ideologia mais casos de violência contra jovens (pensem em qualquer tipo) ocorrerá no nosso país. E serão negligenciados pela imprensa que promove a homossexualização dos nosso jovens.
Leiam estes artigos e comentem:
http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/outros/12329-uma-geracao-enganada-e-corrompida.html
e este também.
http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/estados-unidos/12245-sou-ex-homossexual-e-apoio-michele-bachmanm-e-marido-dela.html