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THE L WORD: o Sabor[1]

24/11/2006:

 

 

 

 

 

 

The L Word 4

Eu ligo a tevê numa noite de domingo e passeio com o controle remoto por vários canais: nada encontro. Uma amiga liga instantes depois, e na passarela importada vê uma cena que a deixa intrigada: duas mulheres se beijam, e na boca. Anunciava-se ali a 1ª. Temporada de um seriado norte-americano chamado The L Word. O horário refletia um pouco a censura do canal: por volta de meia noite apareciam os coqueiros característicos de uma grande avenida de Los Angeles (Califórnia-EUA), os carros que passavam, as pessoas que desfilavam. Um casal de mulheres mexia-se entre lençóis e travesseiros brancos, outras se encontravam num café-bar e um rapaz organizava um quarto que irá abrigar sua namorada que logo logo seria recepcionada no aeroporto por ele.

            Eu não sabia do que se tratava, nunca ouvira falar daquela série, e as cenas que passariam depois me deixariam mais curiosa ainda: sexo entre mulheres, sexo entre homem e mulher, um casal lésbico planejando a vinda de um bebê. Para mim foi uma surpresa.

O fato é que, a partir de amigas(os) cheguei à 4ª temporada, concomitante à apresentação nos Estados Unidos – são as graças da Internet! – e estou cada vez mais parceira da vida e cotidiano das personagens. Compreendo que a série tem cumprido com muita destreza seu papel de ficção – que ao contrário do que pensa muita gente, ficção não é a mesma coisa que mentira ou retrato fantasiado da realidade. Ficção exerce o mesmo papel da Arte, ou seja, que é fazer refletir, questionar e (re)fazer. A meu ver, The L Word exerce esse papel e deixa que o escrevemos a cada episódio em nossas próprias vidas, daí o L, letra que deve ser (re)significada por cada um(a), escrita no seu dicionário particular, diário, carta, e-mail, paredes... Nós refletimos a cada episódio, homens e mulheres, sobre “ser-humano” e a vivência dessa humanidade. Vejamos os exemplos:

da capacidade de viver e superar a dor

Bette, protagonista da série, após relacionar-se com uma outra pessoa que não é sua parceira (com quem viveu 7 anos), padece por toda a 2ª temporada para reconquistar sua companheira; na terceira temporada, quando as duas voltam a viver juntas, e, desta vez, com a responsabilidade de criar seu bebê (nascido de uma inseminação artificial), separam-se: a parceira de Bette descobre que ainda deseja homens;

do amar desmedidamente

Alice que vivera uma paixão com Dana (antes sua melhor amiga), vê-se medicada com antidepressivos. Passa parte da terceira temporada sofrendo e agredindo sua ex-companheira;

do desejo descoberto

Jenny, escritora e noiva do rapaz que a buscou no aeroporto, envolve-se com uma mulher e acaba separando-se. Na segunda temporada ela vivencia as ressonâncias de sua “caixa de pandora”, autodescobertas profundas que a levam a setores obscuros da própria vida. Na terceira temporada, além de retornar do hospital em que se internou por um tempo, vive uma relação-aprendizado com Moira/Max, que pretende realizar uma cirurgia de mudança de sexo;

da experiência da morte

Dana, ex-companheira de Alice e famosa tenista, vê-se com um câncer detectado num estágio avançado que a faz passar por uma cirurgia. Vítima de uma mastectomia, a doença toma conta de seu sistema muscular, o que a leva à morte;

dos problemas de adoção

A briga na Justiça das mães Bette e sua ex-companheira Tina para conseguirem tornar Angélica filha adotiva da primeira mãe. Por imprudências, ciúmes e desavenças entre as mães, termina a 3ª. temporada no seqüestro da criança por parte de Bette;

da discussão sobre amor, casamento e identidade

Shane, que experimenta a monogamia pela primeira vez na vida, pede sua namorada Carmem em casamento. Esta aceita. Todas as amigas vão ao casamento que será realizado numa estação montanhosa, e, na última hora, após conversar com o pai (que conheceu há dias), Shane dá-se conta que “é o que é”, ou seja, estabelecida que é sua imagem (mulher conquistadora) ela mesma, Shane, não consegue desvincular-se do rótulo. Vai embora e abandona sua noiva no corredor do altar.

            Há mais e tantas outras coisas que poderiam ser discutidas e refletidas a partir desta série. Por enquanto, ficarei por aqui. Mas já agora terminando este escrito, vem-me à mente uma frase de Tadeu, personagem de uma ficção chamada Tu não te moves de Ti, da escritora paulista Hilda Hilst, e que diz:

como se tudo, luta repouso dentro de mim se entranhasse.

Talvez seja isso.


[1] Escrito por Joelma Rodrigues, escritora. Endereço do blog: www.aselotus.zip.net

Um Outro ollhar

 

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Comentários
07/02/2008 23:45: lilian - RJ
li esta materia enao poderia deixar de comentar parabens por extrair de forma tao brilhante as verdades que muitos nao conseguem enxergar somos todos iguais. parabens
 
20/03/2008 23:07: Patricia - SC
The L word precisa ser comentado. É uma série lésbica maravilhosa, do tipo que não conseguimos parar de assistir. Mostra um cotidiano verdadeiro do mundo lésbico. Imperdível!!
 
07/09/2008 11:04: jéssica - SP
nossa muito interessante a materia amei... eu adoro THE L WORD
 
14/11/2009 12:07: Iaiá da Boa Chá - RJ
Parabéns, Joelma, pela interessante e inteligente análise que você fez. Um abraço
 
28/03/2010 23:47: tica - RS
 
14/07/2010 17:28: ana glaucia - CE
adorei o comentario da colega... assisti todas as series de the l word. apenas o final deixou a desejar.