Candidata a deputada federal, Adriana é mulher trans e quer ser a voz dos LGBTs

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Vinícius Bruno

Em defesa de pautas LGBTS+, a candidata a deputada federal Adriana Liario, 33 anos, é uma das poucas transexuais que vão disputar estas eleições, em Mato Grosso. Nascida em Tangará da Serra (a 240 km de Cuiabá) e residente em Rondonópolis (a 217 km de Cuiabá), Adriana é mulher trans há 18 anos. Ela tomou a decisão de ser candidata para combater a violência contra LGBTs que, segundo estatísticas do Movimento LGBT Bahia, aumentou 30% em 2017 na comparação com o ano anterior.

Esse lado obscuro da violência sofrida por transexuais, Adriana viu de perto. Em junho de 2017, a colega de quarto dela, Tabata Brandão, 30 anos, foi brutalmente assassinada em Rondonópolis. A morte de Tabata, de acordo com os delegados que conduziram o caso, foi motivada por homofobia.

“Às 4h da manhã o telefone tocou, alguém chamava pra reconhecer um corpo trans. Não havia família ou qualquer outra pessoa, senão, outra mulher trans que, dolorosamente, executava o papel de pai, mãe, irmã, amiga, rezadeira, companhia fúnebre e coveira. Isso me machucou muito. Compartilhávamos o mesmo quarto há 8 anos”, relata Adriana.

Filiada ao PSOL, Adriana também tem entre as propostas lutar pela garantia do uso do nome social de travestis e transexuais em todos os espaços, defesa pelo direito à educação à população LGBTs, criação de ambulatórios de referência à saúde do grupo que representa e apoio à construção de um plano estadual e municipal de promoção e cidadania de LGBTs, entre outras demandas que considera essencial.

“Por compreender que todas as minhas demandas atravessam movimentos sociais, sociedade civil, sociedade acadêmica e diversas ONGs, decidi encarar esse desafio, porque acredito que é preciso ocupar a política com novos sujeitos, com novas vozes, novas trajetórias e formas de ser”, diz Adriana.

A candidata afirma também que sua participação na política visa ser uma forma de construir trilhas para que a sociedade olhe a política com mais esperança, vitalidade e coletividade. “A descrença na política é grande, mas não temos opção que não seja fazer política”.

 

http://www.rdnews.com.br/eleicoes-2018/conteudos/104032

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